Beto e Vanhoni desprezam Cassio e assediam Bueno
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segunda-feira, 04 de outubro de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Político rejeitando votos é uma cena rara, mas é o que está acontecendo no segundo turno das eleições em Curitiba. Tanto Angelo Vanhoni (PT) como Beto Richa (PSDB) já deixaram bem claro que não querem nem ouvir falar no apoio do prefeito Cassio Taniguchi (PFL). O péssimo desempenho do candidato apoiado por Cassio, Osmar Bertoldi (PFL), apenas reforçou a disposição da dupla em manter suas campanhas longe da administração do prefeito.
Ontem, Cassio criticou a atitude de Beto, que pretende insistir na posição de candidato independente da prefeitura. ''As pesquisas apontam que 60% da população aprovam meu mandato. O desempenho do nosso candidato no primeiro turno só não foi maior porque as pesquisas indicavam uma polarização que iludiu o eleitorado. Mas até o começo de setembro, o Bertoldi vinha crescendo'', comentou Cassio, que também disse não acreditar na postura de independente de Beto. ''Ele ainda é vice-prefeito, e sempre foi chamado a tomar decisões e ocupar cargos importantes. Não vejo como ele pode se dizer desvinculado da administração atual'', afirmou Cassio.
Mas se Vanhoni e Beto não estão nem aí para o apoio do prefeito, a dupla disputa acirradamente as bençãos de Rubens Bueno (PPS), que obteve 20% dos votos no primeiro turno. Bueno, porém, não decidiu ainda quem irá apoiar. ''Vamos primeiro conversar com a cúpula do partido em Brasília e ver qual a orientação. Precisamos pensar no bem do partido no Estado antes de tomar qualquer decisão. Não é uma questão de mais simpatia pessoal por um ou outro candidato que irá definir o nosso apoio'', declarou Bueno.
Outro candidato também assediado é Mauro Moraes (PL), que obteve apenas 4,73% dos votos. Apesar da porcentagem ser pequena comparada com Bueno, o candidato garante que seu apoio pode valer tanto quanto o do candidato do PPS. ''A verdade é que 95% do eleitorado do Rubens já sabe em quem vão votar no segundo turno independente do apoio dele ou não. É o pessoal com mais dinheiro, que tende mais para o lado do Beto embora o Vanhoni também consiga um pouco dos votos. Já o meu eleitorado é fiel a mim, e isso foi fácil de ver nessas eleições. Mesmo com as pesquisas me mostrando em quinto lugar, recebi os mesmos 44 mil votos que ganhei na eleição para deputado estadual ali na região sul, ou seja, o pessoal manteve-se leal a mim. Eu tenho mais capacidade de transferir esses votos'', acredita Moraes.


