Curitiba A oito meses das eleições municipais de 3 de outubro, os dois principais pré-candidatos à Prefeitura de Curitiba já estão em plena articulação política, na tentativa de fazer seus nomes decolarem na sucessão de Cassio Taniguchi (PFL). O prefeito em exercício, Beto Richa (PSDB), e o líder do governo na Assembléia Legislativa, Angelo Vanhoni (PT), utilizam as armas que têm para se consolidarem junto ao maior colégio eleitoral do Estado, com 1,14 milhão de eleitores, conforme último batimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Beto, que assumiu a prefeitura na semana passada com a viagem oficial de Cassio para a Europa, aproveitou a interinidade para conquistar a simpatia da maioria dos curitibanos que é usuária do sistema de transporte coletivo da cidade. Criando um mal-estar interno, que pode ter desdobramentos com o retorno do prefeito, o filho de José Richa suspendeu o aumento, que chegou a ser aplicado no domingo, da passagem de ônibus de R$ 1,65 para R$ 1,90. Ele alegou que ficou sabendo do reajuste pelos jornais e que deseja ter em mãos primeiro um embasamento técnico para entender as reais razões do aumento. A discussão em torno da tarifa lhe garantiu, diferente das outras interinidades, projeção e holofotes.
O vice de Cassio montou um cenário perfeito para angariar votos. Assim que viu no reajuste a brecha para se auto-afirmar já como o nome do PSDB na disputa, chamou, no dia seguinte ao reajuste, uma coletiva para anunciar a decisão. Beto solicitou à Urbs, a companhia municipal responsável pelo transporte coletivo, e à Coordenadoria da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), órgão vinculado ao Estado, a apresentação de planilhas que possam detalhar melhor o porquê do aumento.
A decisão de Beto, entretanto, tem hora para acabar. Beto fica como prefeito interino até segunda-feira. Viaja para os Estados Unidos e entrega o cargo para o presidente da Câmara Municipal, vereador João Cláudio Derosso (PSDB). O vereador assume o lugar de Cassio até o dia 8 e tem a incumbência de administrar a polêmica em torno da tarifa. Procurado pela Folha, Derosso não quis se comprometer, nem com Beto nem com Cassio. ''Vou conversar com a Urbs, com o pessoal da prefeitura. Temos que apurar o prejuízo que o sistema pode sofrer, mas também não é justo que o usuário pague.''
Já Vanhoni, o nome mais forte dentro do PT, intensifica as conversas com lideranças de outros partidos, na tentativa de costurar uma frente contra Beto. Vanonhi disse ontem à Folha que já fez uma série de reuniões com o PTB, PCdoB e até com o PMDB que tem uma ala, minoritária, contrária ao apoio ao PT como cabeça de chapa. O deputado federal Gustavo Fruet tem interesse em disputar a prefeitura pelo PMDB, mas não tem o apoio nem do governador Roberto Requião nem do presidente do diretório do partido em Curitiba, Doático dos Santos.
Vanhoni pretende angariar o apoio também de partidos menores, como o PV e o PMN. Mas, segundo ele, ainda não há nenhuma definição. ''Estamos conversando. As discussões estão encaminhadas, estamos debatendo os planos de governo'', declarou. O candidato do PT não teme a resistência da ala peemedebista que não lhe apóia. A permanência de Vanhoni como líder de Requião na Assembléia, no primeiro ano de governo, o consolidou. O petista reverteu outro entrave que lhe era bastante negativo. Conseguiu, com a pressão do comando nacional do PT, a suspensão da prévia que indicaria o candidato oficial, tirando assim o deputado federal Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha, de qualquer disputa interna. (Colaborou Leandro Donatti)

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