Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) e o prefeito eleito de Curitiba Beto Richa (PMDB) realizaram ontem o primeiro encontro oficial depois das eleições do dia 31 de outubro. A reunião transcorreu em clima cordial no Palácio Iguaçu, onde Requião recepcionou o tucano para um almoço juntamente com o vice de Beto, Luciano Ducci, o chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, e o presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB).
O clima amistoso no almoço de ontem contrastou com as acusações pesadas trocadas entre os dois políticos durante a campanha. No segundo turno Requião acusou Beto de ser uma cria política do ex-governador Jaime Lerner (PSB), do prefeito Cassio Taniguchi (PFL) e do senador Alvaro Dias (PDT), seus desafetos na vida pública. Já Beto chegou a interpelar o governador na Justiça, acusando-o de abusar do poder econômico para favorecer Angelo Vanhoni (PT). O candidato do PSDB questionou também as declarações de Requião, que teria dito que a integração entre governo e prefeitura só poderia ocorrer com a eleição do petista.
Ontem, Requião frisou que irá trabalhar em conjunto com Beto no ano que vem. ''O Beto foi escolhido pela população através de uma eleição limpa e terá todo o apoio e consideração de nossa parte'', disse o governador. Segundo o governador, a integração entre a Guarda Municipal e a Polícia Militar está garantida. ''O Beto recebeu também as propostas de Vanhoni para a segurança, e vamos garantir a integração'', afirmou.
O governador também anunciou a retomada do convênio entre a Companhia de Informática do Paraná (Celepar) e a prefeitura para processar as multas emitidas pelos radares. ''Vamos retomar o convênio caso o Beto se comprometa a acabar com os radares-arapucas'', comentou Requião. Beto garantiu que os radares serão sinalizados em seu mandato para que os motoristas não sejam pegos de surpresa.
Antes do almoço, os dois políticos conversaram sobre temas relativos à cidade. Requião chegou a dar sugestões de investimentos nos bairros da capital para Beto, como uma forma de evitar o investimento em um sistema de transporte como o metrô. ''A solução para o transporte é a polinuclearização'', explicou Requião. Para o governador, caso a prefeitura invista em educação, saúde e lazer nos bairros da periferia, a população não precisará se deslocar para o centro para ser atendida.

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