Beto é pré-candidato ao governo; rompida a aliança com Osmar
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Catarina Scortecci<BR>Equipe da FOLHA 
Curitiba - O prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), é pré-candidato ao governo do Paraná na disputa que ocorre no próximo ano. O anúncio foi feito ontem pelo presidente do PSDB no Estado, Valdir Rossoni, durante entrevista à imprensa, e ganhou contornos de novidade porque, embora nunca tivesse descartado a possibilidade, Beto mantinha um discurso de manutenção da ampla aliança da oposição, que unia o PSDB ao PDT, DEM, PP e PPS. A aliança deu respaldo à candidatura do senador Osmar Dias (PDT) em 2006 ao governo do Estado e à reeleição do Beto na disputa do ano passado na capital paranaense.
Internamente, Beto disputa o posto com o senador Alvaro Dias (PSDB), que abertamente já declarou interesse na corrida eleitoral. A definição deve sair em março. O Beto se colocou claramente à disposição do partido para 2010. Agora temos dois pré-candidatos ao governo do Estado, afirmou Rossoni.
O anúncio é resultado de um encontro de tucanos que ocorreu em Brasília na noite de quarta-feira. Na reunião, além de Beto e Rossoni, estava o senador Sérgio Guerra (PE), os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves, entre outros membros. Rossoni explica que Alvaro não pôde comparecer à reunião, mas ele teria acompanhado as discussões. Falei com Alvaro por telefone, nada foi feito sem a participação dele, comentou Rossoni.
Outra decisão do encontro da cúpula foi a recondução de Rossoni à presidência do PSDB estadual até março de 2011. Sua permanência no posto estava ameaçada porque ele já indicava preferir Beto, o que poderia comprometer a condução do processo de candidaturas dentro da sigla. Havia divergência na recondução do meu nome, mas houve um entendimento em Brasília. Minha intimidade com o Beto é de muito tempo, mas conversei com o Alvaro, disse. Já o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) sai da secretaria-geral da sigla, que será comandada pelo deputado federal Affonso Camargo (PSDB).
Questionado sobre a ampla aliança, Rossoni se esquivou. Não rompemos com nada. Esperamos ter o apoio de muitos partidos, o que inclui o PDT. Só não estamos mais deixando dúvidas sobre a candidatura própria do PSDB, afirmou.
Rompimento
Em entrevista ontem no final da tarde à Reportagem, Osmar Dias (PDT) reduziu o fato: Para mim, não foi nenhuma novidade. A gente tem acompanhado na imprensa as viagens do Beto pelo interior, disse. O pedetista reforçou que a decisão do PSDB em nada muda a construção da sua candidatura ao governo do Estado. A disposição do PDT em lançar minha candidatura já é de tempos e independe das decisões dos outros partidos. Não muda nada. Continuo trabalhando com a mesma intensidade, afirmou Osmar, que estará hoje em Cascavel para acompanhar filiações.
Antes de conceder a entrevista, Osmar tinha se encontrado há instantes com Beto, durante um evento da União dos Vereadores do Paraná (Uvepar) em Curitiba. Já nos encontramos aqui, mas ele não me disse nada, comentou o pedetista. Osmar evitou, contudo, falar de alianças e de sua aproximação com o PT. Hoje todos conversam com todos. É cedo para fechar qualquer coisa, disse.
Com a decisão do PSDB, a tendência é que o PDT fique mais próximo do PT. Os petistas também buscam o apoio do PMDB, que tem sustentado a candidatura própria, a do vice-governador Orlando Pessuti. Na noite de quarta-feira, estava marcada uma conversa com o presidente Lula (PT) e o governador Roberto Requião
(PMDB) para tratarem, entre outras coisas, do cenário de 2010. Aliados próximos informaram que o governador manifestaria sua resistência a Osmar, com quem disputou as eleições de 2006.


