Imagem ilustrativa da imagem Beto e Pepe Richa são denunciados por corrupção com outros 31 suspeitos
| Foto: Orlando Kissner/ANPr


O ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB), seu irmão Pepe Richa e outras 31 pessoas foram denunciados nesta segunda-feira (28) por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e pertencimento a organização criminosa. Segundo a força-tarefa da Lava Jato, eles são suspeitos de desviar R$ 8,4 bilhões por meio de supressões de obras rodoviárias e aumento de tarifas em concessões de pedágio.

O tucano está preso desde a sexta-feira (25) no Regimento de Polícia Montada da PM (Polícia Militar), no bairro Tarumã, em Curitiba. Seu contador, Dirceu Pupo, também foi detido, mas levado à Casa de Custódia, em Piraquara, na região metropolitana da capital.

O MPF (Ministério Público Federal) apresentou nesta segunda duas denúncias. Os crimes são relacionados às investigações da Operação Integração, desdobramento da Lava Jato. Uma delas é contra os irmãos Richa, acusados de comandar o esquema de propina das rodovias do Anel de Integração, e mais oito agentes públicos.

A outra acusação, relacionada a empresários, envolve os ex-presidentes das concessionárias Econorte, Viapar, Ecocataratas, Caminhos do Paraná, Rodonorte e Ecovia. O ex-diretor regional da ABCR (Associação Brasileira de Concessionária de Rodovias) no Paraná João Chiminazzo Neto foi denunciado como principal operador financeiro do esquema criminoso. Conforme o MPF, os citados pagavam subornos para obter favorecimentos contratuais que excluíam obras e aumentavam tarifas.

As irregularidades começaram em 1997, segundo o MPF. De acordo com o procurador da República Diogo Castor de Mattos, esse é o maior desvio de dinheiro já comprovado da história do Paraná.

Para Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa, além do prejuízo financeiro, o esquema deixou um "rastro de morte" no Estado. Ele destacou que, segundo a PRF (Polícia Rodoviária Federal), nos últimos cinco anos houve 1.714 mortes em rodovias federais, sendo 403 em colisões frontais em trechos de pista simples. "A grande maioria dessas mortes poderia ter sido evitada. A falta de fiscalização, de ética e de uma justiça efetiva tem gerado um ambiente  favorável a muitas mortes. Parecem acidentes, mas não são."

Em nota, a assessoria do ex-governador Beto Richa afirma que ainda está tomando conhecimento do conteúdo da denúncia e que deve se manifestar em seguida. "A defesa reafirma que seu cliente não cometeu nenhuma irregularidade, que a prisão é arbitrária e que ele sempre esteve à disposição da Justiça para provar sua inocência", diz a nota.

Por meio da assessoria, a concessionária Econorte, cujo ex-presidente, Hélio Ogama, está preso desde o ano passado, quando foi deflagrada a primeira etapa da Operação Integração, diz que não irá se manifestar. Ogama é um dos colaboradores do MPF nas investigações.

Já o advogado Adriano Bretas, que defende o ex-presidente da ABCR- PR, João Chiminazzo, informa que sobre as denúncias do MPF apontadas na tarde desta segunda, no âmbito da Operação Integração, ainda não tomou conhecimento do teor dos fatos e irá se manifestar dentro do processo.

A assessoria do senador e ex-governador Roberto Requião (MDB) afirma que no período em que governou o Paraná (2003-2010) Requião entrou com 40 ações na Justiça para derrubar o preço do pedágio.

A reportagem tenta contato com o ex-governador Jaime Lerner (DEM). (Colaborou Vitor Struck/Reportagem Local)

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