Curitiba - O debate entre candidatos ao governo do Paraná, sexta-feira à noite na Rede Massa, foi marcado pelo confronto direto entre os dois principais postulantes ao Executivo, Beto Richa (PSDB) e Osmar Dias (PDT). Em parte, em função do formato do programa: ao contrário do que ocorreu no debate da TV Bandeirantes, que contou com a participação de todos os sete candidatos, a Rede Massa optou por chamar apenas os quatro filiados a partidos políticos com representação na Câmara (além de Beto e Osmar, Paulo Salamuni, do PV, e Luiz Felipe Bergmann, do PSOL); outra mudança que permitiu o confronto direto foi a possibilidade, no terceiro e penúltimo bloco, que os candidatos ganharam de escolher para quem direcionariam suas perguntas.
  Mas o formato do debate não foi o único motivo da alta temperatura. Na sexta-feira pela manhã, Beto e Osmar já tinham partido para o ataque durante o debate da APP-Sindicato (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná). Também horas antes do debate na TV, uma nova pesquisa Datafolha, confirmando a aproximação entre Beto e Osmar apontada pelo Ibope de quinta-feira, colaborou para esquentar a disputa.
  A alfinetada inicial partiu de Osmar, que sugeriu desconhecimento do adversário tucano na área da agricultura: ‘‘Como você não está com seus assessores, não vou fazer pergunta sobre agricultura’’. ‘‘Pode fazer’’, respondeu Beto, ainda sem uso do microfone, mas num volume percebido pelo telespectador.
  Em seguida, Osmar questionou Beto sobre quais rodovias do Paraná foram federalizadas, ainda na tentativa de sugerir desconhecimento do adversário. ‘‘Você quer fazer uma pegadinha (...), mas aqui não é uma gincana’’, disse Beto, apontando que o pedetista, dias atrás em seu Twitter, prometeu obras no trecho entre Arapongas e Sabáudia, que, segundo o tucano, já está pavimentado desde 1974. Osmar não falou especificamente sobre a questão no Twitter, mas depois devolveu o ataque falando que a Estrada da Boiadeira, que Beto ‘‘disse que vai pavimentar’’, já está em processo de licitação, conduzido pelo governo federal, responsável pelo trecho.
  Mas os dois candidatos não pararam por aí. Munidos de papéis para tentar provar o que falariam na telinha, os dois voltaram a duas questões já bastante discutidas desde o início da campanha eleitoral: as privatizações e as alianças partidárias que os sustentam na disputa. ‘‘Um relatório aqui do Senado mostra que você aprovou a privatização das telecomunicações, do gás’’, disse o tucano, que já tinha previsto a venda do Banestado, aprovada com seu voto quando ocupava a cadeira de deputado estadual, como tema do debate. ‘‘Você é filho biológico de José Richa, que eu respeito, mas é filho político do Jaime Lerner’’, devolveu Osmar, já no final do terceiro bloco, em referência às privatizações promovidas na gestão Lerner. Depois, acrescentou: ‘‘Mas ele (Lerner) foi melhor prefeito de Curitiba do que voc꒒.
  Sobre as alianças que se formaram para o pleito de outubro, novos ataques: Beto disse que ‘‘não podemos ser birutas de aeroporto’’ para atender a ‘‘conveniências pessoais’’, e destacou a carta pré-eleitoral que provaria o interesse do PDT em apoiar a candidatura tucana. ‘‘Quem fez a proposta de aliança foi o PSDB, mas o PDT nacional respondeu que ela só seria viabilizada com o nosso partido como cabeça de chapa’’, devolveu Osmar, sugerindo que sua aliança com o PSDB não deu certo porque Beto ‘‘fugiu’’ da Prefeitura de Curitiba ‘‘depois de um ano e três meses’’ por ‘‘vaidade pessoal’’.  O debate rendeu no total quatro pedidos de direito de resposta, que foram todos analisados e negados pela direção do programa.

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