Beto e Osmar trocam acusações em debate da APP-Sindicato
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sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Maigue Gueths<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - A temperatura subiu ontem no debate promovido pela APP-Sindicato, entidade que representa os professores e funcionários da rede estadual de ensino, em Curitiba. Apesar de o debate seguir um formato tradicional, sem permitir perguntas diretas entre os candidatos e proibir a manifestação da plateia, os sete candidatos ao governo foram para o ataque, mostrando o clima que deve prevalecer nesta reta final. Já entre a plateia, ficou clara a preferência da categoria pelo candidato pedetista.
Os dois principais concorrentes, Osmar Dias (PDT) e Beto Richa (PSDB), trocaram acusações em diversas ocasiões. Os outro cinco candidatos, Avanilson Araújo (PSTU), Amadeu Felipe (PCB), Paulo Salamuni (PV), Luiz Felipe Bergmann (PSOL) e Robinson de Paula (PRTB) mostraram que não entraram na disputa para alavancar candidaturas de quem está à frente, e usaram o tempo para criticar ambos. ''Estamos num dilema no Paraná. De um lado temos um candidato privatista e de outro um representante do agronegócio'', disse Araújo.
Beto não perdeu a oportunidade para tentar relacionar Osmar ao irmão dele, Alvaro Dias (PSDB), que em 30 de agosto de 1988, quando era governador do Estado, usou a cavalaria para reprimir uma manifestação dos professores. O episódio é lamentado e relembrado pelo magistério até hoje. Já Osmar pediu - e ganhou - direito de resposta, e sugeriu que o fato era coisa do passado e não o envolvia. ''Agora é comigo'', disse ele.
Osmar, por sua vez, cobrou do candidato do PSDB, declaração feita por ele na semana passada em Apucarana. Em entrevista a um jornal local, Beto atribuiu a chefes de núcleos regionais de Educação a responsabilidade pela divulgação de mensagens contra ele pela internet. Beto classificou o grupo de ''laranjas podres'' que poderiam contaminar os demais professores e disse que, como governador, iria trocar quem age desta forma.
O tucano afirmou, ainda, que Osmar fazia o papel de ''bom moço'', o que se contrapunha ao seu ''histórico de temperamento agressivo'' e ''autoritário''. Osmar rebateu dizendo que jamais demitiria alguém apenas por ter ideias contrárias às dele.
Os professores e funcionários da rede estadual também deixaram claro que não aprovam o Programa Comunidade-Escola, da Prefeitura de Curitiba, e que prevê a realização de atividades nos fins de semana nas escolas por meio do trabalho voluntário de pais e professores. A categoria classificou a iniciativa como ''privatização'' das escolas. ''O programa é um sucesso. Existe em 87 escolas porque é desejo das comunidades ter este programa. Não é privatização nem tercerização'', rebateu Beto.
Para os professores e funcionários, o debate resultou em alguns compromissos importantes dos candidatos. Todos colocaram o tema Educação como prioridade de governo e comprometeram-se com as reivindicações da categoria como reajuste salarial, realização de concurso público, ampliação da hora-atividade, redução do número de alunos em sala de aula. Beto e Osmar prometeram, ainda, atender o principal anseio da categoria: equiparação salarial com os demais servidores de nível superior do serviço público que ganham 25,97% a mais. Beto também se comprometeu a não interferir nas eleições da APP-Sindicato e Osmar disse que daria um notebook para cada professor.


