Beto critica acordo do MP com delator da Publicano
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quinta-feira, 14 de abril de 2016
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), defendeu a anulação do acordo de delação premiada entre o auditor fiscal Luiz Antonio de Souza e o Ministério Público (MP) do Paraná. Beto visitou, ontem, a ExpoLondrina e antes de se reunir com os diretores da Sociedade Rural do Paraná, concedeu entrevista coletiva à imprensa. O governador manifestou apoio à ação da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), questionando o termo da delação por considerá-lo insuficiente para recuperar o dinheiro desviado dos cofres públicos por meio da suposta organização criminosa na Receita Estadual.
O delator, que está preso há mais de um ano, é o principal colaborador das investigações da Operação Publicano, que apura corrupção na Receita. Segundo a PGE, duas fazendas no Mato Grosso, que foram entregues por Souza para leilão como forma de ressarcimento ao erário, estão em nome de outras pessoas. Além disso, recente avaliação pericial apontou que os imóveis valem R$ 8,5 milhões e não R$ 20 milhões, conforme consta do acordo. A defesa do delator quer nova perícia (leia mais nesta edição).
Beto afirmou que a iniciativa de recorrer contra a delação premiada foi da Procuradoria-Geral, que está agindo dentro da sua competência. "O Ministério Público fez um acordo com ele (Souza), sem ouvir o Estado e, pelas informações que tenho, ele próprio admite que desviou xis em dinheiro e o acordo foi por menos. Eu já disse, vocês me conhecem, se houver qualquer caso de desvio de dinheiro público no governo, eu vou cobrar até o último centavo."
A partir de informações repassadas por de Souza ao MP, de que auditores teriam supostamente arrecadado R$ 4,3 milhões de propina junto a empresários para a campanha do tucano à reeleição, em 2014, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou a abertura de inquérito pelo Ministério Público Federal (MPF) para apurar o caso. O governador disse estar tranquilo. "Estou absolutamente tranquilo sobre essa investigação. O maior interessado que seja concluída o mais rapidamente possível sou eu. Casos de corrupção na Receita vêm há mais de 30 anos e o primeiro governo que tomou providencias foi o meu", falou Beto. O inquérito tramita sob a deliberação do STJ em razão do foro privilegiado do governador.
IMPEACHMENT
Beto Richa afirmou que o impedimento da presidente Dilma Roussef, cuja votação na Câmara Federal está marcada para o próximo domingo, trará resultados positivos para a economia. "Estamos quase no fundo do poço e todas as vezes que se fala na possibilidade de afastamento da presidente, o dólar cai, a bolsa sobe, volta a haver confiança no País. Segundo informações que a gente recebe diariamente de Brasília, o impeachment deve passar no próximo domingo e a partir disso teremos um novo Brasil." Mesmo que o procedimento seja aprovado pelos deputados, a instauração dependerá da avaliação do Senado.
O governador negou semelhanças entre as pedaladas fiscais da petista apontadas como crime de responsabilidade e o que aconteceu no Paraná, em ralação às contas de 2014. Na ocasião, o Ministério Público de Contas (MPC) afirmou que o governo havia cometido "pedalada fiscal" por alterar a meta de superavit fiscal depois que o exercício havia acabado. O Tribunal de Contas (TC) não viu ilegalidade e aprovou a prestação de contas. "Diferente do governo federal, que fez todas as mudanças de metas fiscais, sem alteração do Legislativo, nós tivemos todas as aprovações, tudo em ordem."


