Curitiba - Prometendo uma "ampla reforma administrativa" para os próximos meses, o governador Beto Richa (PSDB) anunciou um corte de R$ 200 milhões nos gastos públicos. Com plano de renovar a frota, a administração cancelou a compra de veículos e vai mudar a gestão dos carros para gastar menos combustível. As duas medidas, na conta do Palácio Iguaçu, vão gerar economia de R$ 174 milhões. "É uma medida de austeridade", afirmou Beto. O corte foi determinado por decreto, assinado ontem pelo governador.
A redução segue uma tendência nacional após os protestos que pediram mais ética na política e serviços públicos de qualidade. Em São Paulo, o corte será de R$ 336 milhões em dois anos. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) acabou com uma secretaria de Estado, decidiu vender um helicóptero que ficava à disposição e extinguiu 2.036 cargos comissionados. No governo federal, Guido Mantega (ministro da Fazenda) confirmou economia de até R$ 15 bilhões, a serem somados a outros R$ 28 bilhões contingenciados desde maio.
No Paraná, os restantes R$ 26 milhões que o governo deseja economizar, além das despesas com os veículos oficiais, virão do custeio da administração pública. A meta é reduzir em 25% as principais despesas, desde que o corte não afete áreas essenciais (Saúde, Educação e Segurança). Assim, a redução nas horas extras geraria economia de R$ 12 milhões. Gastos com viagens devem cair R$ 8,3 milhões e as contas de luz, água e telefone, conforme o decreto assinado por Beto Richa, deverão ser reduzidas em 25% (R$ 6 milhões de economia).
Para Reinhold Stephanes (PSD), será possível ao Paraná economizar mais R$ 81 milhões após o resultado de uma parceria do Estado com o Movimento Brasil Competitivo (MBC). O MBC é uma entidade que reúne gestores de grandes empresas em atividade no Brasil, da Petrobras a Microsoft. Stephanes acha que a consultoria da iniciativa privada à gestão pública pode melhorar os processos administrativos, reduzindo despesas.
Em setembro, conforme apuração da FOLHA, Beto deve anunciar a mudança no secretariado que já circulava nos bastidores da política paranaense. Comenta-se que cinco pastas podem ter mudanças, sendo extintas ou anexadas a outras já existentes. A medida adiantaria parte do "xadrez político" de 2014, quando secretários de Estado que desejam ser candidatos terão que deixar seus cargos. Até cinco secretarias poderão ter mudanças nos próximos 60 dias.

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