Curitiba - A Officer, uma das grandes distribuidoras de produtos de informática no País, é a mais nova empresa a fechar acordo com o governo do Paraná para se instalar em Londrina. Os detalhes do negócio - como data de instalação, produção estimada e geração de empregos - ainda não foram divulgados -, mas a vinda da empresa foi confirmada à FOLHA nesta semana pelo governador Beto Richa (PSDB).
Além da Officer, o governador adiantou que existem conversas avançadas para que outras duas grandes empresas possam se instalar em Londrina: uma no setor de medicamentos (segundo o governo, uma das maiores indústrias do ramo no País, com faturamento anual de R$ 2 bilhões) e outra ligada à construção civil. Como ainda está em fase de negociação, o governo não comenta o nome das empresas. A última reunião com a empresa do setor de medicamentos aconteceu há aproximadamente três meses, onde foram feitas propostas e contrapropostas de lado a lado. ''O resultado da reunião foi assim: se o Paraná vencer e nossa decisão for pelo Estado, vou atender o pedido do governador e vou para Londrina. As discussões às vezes são longas e se estabelece até um leilão entre os estados'', contou o governador, com exclusividade à FOLHA.
Assim como declarou durante lançamento das obras na Paccar, em Ponta Grossa, no último dia 10, o governador voltou a comentar a dificuldade em atrair grandes investimentos para o interior do Estado, pela preferência das empresas em se estabelecerem em Curitiba e região por conta da proximidade com o Porto de Paranaguá. ''A gente chega até a se exaltar um pouco com investidores, tentando levar para o interior, para o Norte. Eu sou de Londrina, o (Luiz Carlos) Hauly (secretário da Fazenda) é de Londrina, o Ricardo Barros (secretário de Indústria e Comércio) é de Maringá, então a gente faz de tudo para levar para o interior'', afirma.
De acordo com Richa, o programa Paraná Competitivo foi estruturado para oferecer incentivos maiores para quem se instalar no interior. ''A lei que nós concedemos, inclusive, destina incentivos fiscais maiores à medida que vai para o interior, privilegiando regiões mais deprimidas economicamente. Agora, de repente o investidor diz: 'ou é aqui nessa área que eu identifiquei nesse município ou eu não venho para o Paraná'. O empresário quer estar próximo do Porto de Paranaguá. Se desse para fazer um porto lá em Londrina ou em Cascavel a gente faria, mas não tem jeito'', justifica.
Sobre a possibilidade de inverter essa lógica, o governador responde: ''É difícil. Elas (as indústrias) querem se instalar onde seja mais vantajoso''. Richa também garante que está investindo em infraestrutura, para tentar diminuir a diferença de condições entre a região da capital e o interior. ''Segundo o que me falaram em Londrina, é o maior investimento de um governo do Estado na história da cidade, a duplicação da PR-445, aproximadamente R$ 110 milhões, com 17 quilômetros e 15 viadutos. Estamos investindo R$ 27 milhões na revitalização do aeroporto, com a desapropriação dos imóveis, e isso não é obrigação do Estado, mas do município. O município não tem condições, nós estamos fazendo. Socorremos nas questões da saúde, da dengue, dos plantonistas de UTI de dois hospitais. O que a gente pode fazer, além das responsabilidades diretas do Estado, nós temos feito'', diz.

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