Curitiba - Nem veto, nem doação direcionada. O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), anunciou ontem que ele, a vice-governadora Cida Borghetti (Pros) e os 20 secretários de Estado, incluindo três especiais, abrirão mão de seus salários de janeiro. A partir do próximo mês, contudo, os vencimentos voltarão a ser depositados normalmente, já com o acréscimo automático de 14,6%. O aumento está previsto na Lei Estadual 15.433/2007, segundo a qual os subsídios do chefe do Executivo são os mesmos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), "encorpados" no início do ano. Ou seja, em fevereiro, Beto receberá R$ 33,7 mil, ao invés dos R$ 29,4 mil que ganhava até dezembro de 2014. Como corresponde ao teto do funcionalismo, o valor torna o tucano o governador mais bem pago do País.
"Como parte das medidas de austeridade imprescindíveis para o ajuste fiscal do Estado, abri mão de meu salário como governador em janeiro e determinei que vice-governadora e secretários façam o mesmo. Será um ano difícil para o Brasil e para o Paraná e o esforço de todos será necessário", disse Beto, por meio de suas contas em redes sociais. A determinação, cuja "economia" prevista é de R$ 538 mil, consta ainda de um despacho, publicado na edição de ontem do Diário Oficial do Executivo. O curioso é que, como se trata de um adiamento, e não de um cancelamento de despesa, os recursos podem ser todos recuperados adiante. De acordo com a assessoria de imprensa do Palácio Iguaçu, não há um prazo certo para isso acontecer.
Também enfrentando problemas financeiros, os governadores da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), e do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), abriram mão integralmente do reajuste. Ao que tudo indica, porém, o mesmo não irá ocorrer no Paraná. A administração estadual informou, por outro lado, que Beto continua com a prática de doar parte do que recebe a organizações sociais. Os valores, bem como os nomes das instituições, não foram divulgados, porque dizem respeito a uma "questão pessoal do governador".
Conforme a mesma legislação, a vice-governadora e os secretários têm direito a receber, respectivamente, 95% (R$ 32 mil) e 70% (R$ 23,6 mil) do que ganha o chefe do Executivo. Com isso, e considerando os mesmos 20 membros do primeiro escalão, o reajuste deve representar um impacto mensal de R$ 68,6 mil, totalizando R$ 3,29 milhões nos próximos quatro anos (48 meses de mandato). Para chegar a esse número, a reportagem não considerou as três estruturas definidas pelo Executivo como de apoio técnico e nem os ocupantes de cargos de chefia das empresas públicas, uma vez que pode haver diferenças nos vencimentos.

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