Curitiba - O prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), reconheceu ontem que a Linha Azul, primeiro trecho de implantação do metrô na capital, poderá não ficar pronta nem parcialmente até a Copa de 2014. ''Se não for possível, o nosso atual modal, o ônibus, estará adequado para atender durante os jogos'', disse Beto. ''A Fifa não exige a implantação do metrô para a realização dos jogos, mas que haja melhorias na infraestrutura da cidade e na mobilidade, e isto será feito'', completou. O prefeito se reuniu ontem com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (PT), para discutir o financiamento da obra.
No encontro, Beto recusou a proposta de financiamento do governo federal para a obra dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Copa. ''Seria um financiamento de 30 anos e de alto custo, que comprometeria a capacidade de endividamento da Prefeitura. Vamos agir com responsabilidade e buscar recursos do governo federal a fundo perdido, como aconteceu em outras cidades '', disse.
Segundo o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), Cléver Almeida, com a exclusão do metrô curitibano do PAC da Copa, a obra perde a vinculação com o evento. ''Estávamos trabalhando com a hipótese de fazer no PAC da Copa, e isso só tinha sentido se a construção fosse concluída até a Copa'', explica.
A proposta agora é que o projeto seja incluído no PAC 2, novo lote de investimentos do governo federal que deverá ser divulgado no primeiro semestre de 2010. Dessa forma, a parcela de recursos federais no metrô curitibano seria no sistema de financiamento a fundo perdido. ''Com a negociação do metrô de Curitiba para o PAC 2, pode ser viável buscarmos recursos para os 22km de extensão e não apenas para o primeiro trecho'', disse Paulo Bernardo.
A princípio, se o metrô fosse incluído no PAC da Copa, a previsão era de que apenas parte do empreendimento fosse concluída até 2014 - o trecho que vai da CIC-Sul a Praça Eufrásio Correia, no centro da cidade. Para Almeida, sob esse novo cenário o cronograma da obra só será definido a partir do momento que o governo federal estabelecer em que condições Curitiba irá receber os recursos.
Com a decisão do prefeito, Curitiba poderá apresentar uma nova proposta de investimentos federais para a cidade. Segundo o ministro, a principal obra prevista para a capital paranaense até o momento é de revitalização da Avenida das Torres, principal ligação de São José dos Pinhais e do aeroporto Afonso Pena com a cidade.
Terceira pista
O ministro Paulo Bernardo se reuniu ontem também com o vice-governador Orlando Pessuti (PMDB) para discutir a viabilização da construção da terceira pista do Aeroporto Afonso Pena. Segundo Pessuti, a obra é essencial para permitir que Curitiba receba voos internacionais e aviões de carga de grande porte. ''Hoje o aeroporto recebe aviões de carga sem ocupação total porque as pistas existentes não têm cumprimento suficiente para permitir pousos e descolagens nessas condições'', disse.
A terceira pista deve ser bancada com recursos da Infraero, que administra os aeroportos do país. ''Há recursos da própria empresa, mas também podemos colocar dinheiro do governo federal para viabilizar a obra'', adiantou Bernardo, que não quis falar em prazos para o projeto.
Já Pessuti é mais otimista. Para o vice-governador é possível que a terceira pista seja licitada já em 2011. ''Temos que realizar desapropriações de áreas no local e obter o licenciamento ambiental. Acredito que podemos fazer tudo isso já em 2010 e entrar em 2011 prontos para licitar'', declarou.

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