Curitiba - O prefeito de Curitiba, Beto Richa, foi escolhido ontem pelo diretório regional do PSDB no Paraná, em votação secreta, pré-candidato oficial do partido ao governo do Estado nas eleições de outubro. Com a indicação, Beto anunciou que vai reforçar o trabalho pela concretização de alianças em torno de sua candidatura. O prefeito confirmou que está conversando com o PMDB. ''Temos que ver em que termos essa aproximação pode acontecer'', declarou.
Beto adiantou inclusive que tem ''grande relacionamento'' com o deputado estadual Alexandre Curi (PMDB), que estaria cotado para ser vice na chapa tucana. ''É uma grande liderança que tem certamente um grande potencial'', disse. O prefeito não descartou a possibilidade de fechar uma chapa com o pré-candidato ao governo pelo PMDB, Orlando Pessuti. ''O nome do vice-governador ainda não tinha sido ventilado como vice'', salientou. Beto disse também que há outros nomes para vice como o senador Flávio Arns (PSDB), do presidente do PPS, Rubens Bueno e do deputado federal Gustavo Fruet (PSDB).
Atualmente em lados opostos, PMDB e PSDB ensaiam uma aproximação em torno dos projetos de Beto e do governador Roberto Requião (PMDB), que deve ser candidato ao Senado. A expectativa é que numa eventual aliança, os tucanos abram mão de ter uma chapa de candidatos ao Senado, pavimentando o caminho de Requião em direção a Brasília.
O PMDB também está sendo cortejado pelo PT, que quer fechar uma aliança PMDB e PDT em torno do nome do senador Osmar Dias (PDT). ''Nosso desejo é termos uma cabeça de chapa com o Osmar, um vice do PMDB e uma chapa para o Senado com Requião e a Gleisi (Hoffmann)'', declarou o presidente do partido no Paraná, deputado estadual Ênio Verri. O projeto petista tem foco no aumento da bancada no Congresso e na garantia de um palanque forte para a ministra Dilma Rousseff (PT) no Estado.
A pedra no caminho dos petistas, no entanto, é que uma possível aliança PT-PMDB manteria no páreo os dois candidatos tucanos ao Senado: os deputados federais Alfredo Kaefer e Gustavo Fruet, este último muito bem colocado nas pesquisas de intenção de voto já divulgadas. Já um acordo PSDB e PMDB poderia neutralizar ambos candidatos, deixando a disputa pelo Senado entre Requião, a petista Gleisi e outros candidatos. Este ano estão em jogo duas vagas para o Senado.
Para o presidente do PMDB no Paraná, deputado estadual Waldyr Pugliesi, ''a bancada (do PMDB na Assembleia) decide na direção do Beto''. ''Mas isso só vai ser definido em junho'', desconversou. Para Pugliesi, o PMDB mantém seu projeto de lançar candidatura própria, com o vice-governador Orlando Pessuti. E deve trabalhar por isso até a convenção do partido, em junho.
O líder do governo Requião na Assembleia, Luiz Claudio Romanelli (PMDB), disse que o partido está ''aberto ao diálogo''. ''Mas respeitamos a pré-candidatura do Pessuti'', afirmou. Segundo Romanelli, só o vice-governador deve decidir se manterá ou não a candidatura.
A dificuldade atual de Pessuti para manter a candidatura na pauta do partido é seu pouco crescimento nas pesquisas de intenção de voto já divulgadas. A expectativa é que a candidatura do vice-governador tenha os próximos meses para crescer e mostrar a que veio. O temor entre os peemedebistas é que com uma candidatura majoritária com desempenho fraco - como a do ex-reitor Carlos Moreira à Prefeitura de Curitiba em 2008 - as chapas do partido a deputado estadual e federal também sofram para manter o número de cadeiras que o partido atualmente ocupa na Assembleia e no Congresso (colaborou Marcela Rocha Mendes).

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