São Paulo - O ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, reagiu ontem ao protesto do qual foi vítima ontem, em Fortaleza, quando foi atingido por uma torta no rosto. Berzoini defendeu a punição da manifestante do grupo de esquerda Crítica Radical. ''É um ato inaceitável, praticado de maneira completamente despolitizada, atacando um representante do governo federal de maneira desqualificada'', enfatizou o ministro.
Para o ministro, a agressão foi um ato isolado, praticado por pessoas sem representatividade. Ele disse que encarou o protesto com tranquilidade e não pretende dar dimensão importante ao fato. Berzoini revelou que recebeu ontem manifestações de solidariedade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de vários ministros e de membros da sociedade civil.
Berzoini disse desconhecer o motivo pelo qual a professora decidiu agredi-lo. ''Fui ao Ceará inaugurar um projeto que tem o apoio de toda a sociedade cearense. Isso é mais importante que esse fato. As pessoas devem ter responsabilidades pelos seus atos. Como toda agressão, ela deve obviamente ser tratada como agressão'', defendeu o ministro, que participava do lançamento de um dos projetos do programa Primeiro Emprego.
A professora Rosa da Fonseca, uma das cem integrantes do grupo Crítica Radical, afirmou ontem, em Fortaleza, que o ato teve como objetivo despertar os cidadãos para refletirem sobre o ''estado terminal do capitalismo'' e a necessidade de construção de uma ''sociedade da emancipação humana''.
A torta custou R$ 6,13. A mulher que atirou a torta em Berzoini não foi identificada. O grupo teme que ela seja perseguida ou alvo de inquérito policial, como aconteceu com um outro integrante, o artista cearense Hamilton Nascimento, que responde a um processo por ter participado dos protestos contra a reforma da Previdência, em agosto, quando os vidros do Congresso foram quebrados. Apesar de a militante ter sido fotografada, os companheiros dela preferem não revelar o nome.

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