Berzoini quer Dirceu fora da cúpula
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segunda-feira, 05 de setembro de 2005
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Mesmo se o Campo Majoritário vencer as eleições internas do PT nacional previstas para o próximo dia 18, o ex-ministro José Dirceu não integrará a direção do partido. A afirmação é do ex-ministro e deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP), que esteve ontem em Curitiba para divulgar sua candidatura junto aos militantes do partido.
Berzoini assumiu a candidatura à presidência do PT em nome do Campo Majoritário após a desistência de Tarso Genro, atual presidente do PT. Genro não concordou em disputar o cargo enquanto Dirceu, acusado de ser responsável pela crise que sacode o partido, mantivesse seu nome na chapa que irá disputar as eleições.
Segundo Berzoini, há um compromisso de Dirceu e de outros petistas citados nos escândalos em não assumir cargos na direção do partido após as eleições. ''Defendo o direito dos citados em permanecer na chapa, uma vez que forçar as exclusões seria um pré-julgamento que não podemos fazer. Todos têm direito à ampla defesa. Mas todos os citados assinaram um compromisso em não postular cargos na direção do partido neste fim de semana'', ressaltou Berzoini.
O ex-ministro defendeu uma ''agenda positiva'' na campanha pelo controle nacional do PT. ''Há setores do PT que só querem falar da crise. Temos que tratar a crise com muita preocupação e atenção, mas também não podemos esquecer que foi o Campo Majoritário o grande responsável pelo fortalecimento do partido e pela eleição do presidente Lula. Não podemos restringir a discussão apenas às denúncias, mas também lembrar que o PT foi o responsável pela redução da fragilidade da economia e por avanços nas áreas sociais como o Bolsa Família'', apontou.
Embora tenha citado exemplos do governo federal, Berzoini defendeu uma maior desvinculação do PT em relação às políticas do governo. ''O governo é formado por uma aliança de partidos que vai da esquerda à centro-direita. Creio que erramos ao deixar a agenda do governo atropelar a agenda interna do partido. Eu acredito que o PT tem que se manifestar de maneira respeitosa em relação ao governo, mas não pode deixar de reivindicar mudanças na política que são mais condizentes com o nosso pensamento de esquerda'', destacou.
Berzoini avaliou como um equívoco a tentativa do PT de afirmar que o PT era um partido diferente dos demais. ''Em 2002 o PT fez uma opção por disputar o governo, com o lado bom e ruim que isso traz. O lado bom é podermos implantar as políticas públicas que defendemos, mas por outro lado tivemos que nos adaptar a realidade e realizar concessões a outros partidos. Não adiantava o PT ficar pregando bandeiras ideais mas desvinculadas da realidade do país. Assim, seríamos sempre um partido pequeno'', analisou o candidato.


