Brasília - O presidente do PT, Ricardo Berzoini, disse ontem que deverá vencer a eleição para o diretório nacional do partido com uma diferença de cinco mil votos em relação ao concorrente, Raul Pont. Ao deixar o Palácio do Planalto no início da tarde, onde teria se encontrado apenas com o ministro Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência, Berzoini disse que não assinará resolução, caso seja mesmo eleito, para garantir legenda no próximo ano aos deputados citados nas denúncias de corrupção que renunciarem ao mandato na Câmara.
Ele afirmou que vários deputados citados nas denúncias já deixaram claro que não pretendem renunciar. Muitos, segundo Berzoini, podem ou não manter a disposição de concorrer nas eleições de 2006. ''Vamos ter de ouvir caso a caso, cada um com a sua razão'', afirmou. ''Não é o diretório nacional que dá legenda. Quem dá legenda são os diretórios regionais, que devem apreciar a questão com tranquilidade''.
Berzoini disse que cada deputado envolvido no suposto esquema do ''mensalão'' deve avaliar o impacto de uma possível renúncia na opinião pública. ''É preciso aguardar para que, se houver iniciativa de algum deles, o partido avaliar qual é o quadro'', salientou. ''Não vejo razão para ter um posicionamento genérico sobre isso.''
O ex-ministro da Previdência e do Trabalho relatou ter recebido informações extra-oficiais que o apontam como vitorioso na eleição do segundo turno do PT. ''Vamos esperar, pois sou bastante respeitoso em relação à apuração de eleições, quero o resultado oficial para poder falar em uma condição ou em outra'', afirmou. O atual presidente do PT disse que o reduzido número de militantes nas urnas no domingo, abaixo do registrado no primeiro turno, já era previsto pela direção nacional.
Berzoini afirmou que não espera um racha no partido com a confirmação de sua vitória. Ele avalia que os representantes do bloco de esquerda do partido, defensores da candidatura de Raul Pont no segundo turno, devem se unir aos do campo majoritário para reconstruir o PT. ''Não vejo essa possibilidade (de racha), pois ouvi do próprio Pont que o pessoal de esquerda continuará no partido'', disse.
Berzoini fez questão de ressaltar a independência do partido em relação ao governo. ''O PT é o principal da base do governo, por ter maior bancada e ser o partido do presidente da República, mas tem consciência de que não é o único partido nem tem uma visão arrogante da sua presença.''

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