Brasília- O ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, descartou ontem a criação de um regime exclusivo para os magistrados que preservaria atuais garantias como aposentadoria integral e paridade de reajuste salarial entre ativos e inativos. Surgida na semana passada durante reunião de juizes no Supremo Tribunal Federal (STF), a proposta foi comunicada oficialmente a Berzoini pelo presidente do STF, Maurício Corrêa.
Ao sair de um encontro de quase meia hora no Supremo no qual Corrêa relatou as propostas da magistratura mas não entregou documentos, Berzoini observou que a Constituição Federal e a proposta do governo para a reforma não prevêem uma Previdência separada para os magistrados. ''O orçamento público não pode ser atingido de maneira tão desigual pelos sistemas de todos os servidores, incluindo o Judiciário e o Legislativo'', afirmou o ministro da Previdência.
Berzoini disse que o País precisa de uma Previdência justa e sustentável. ''Essa Previdência deve alcançar como objetivo estratégico o máximo de equidade'', afirmou. Apesar de ter sinalizado que a proposta do Judiciário poderá ser descartada, Berzoini disse que sugestões de mudanças poderão ser enviadas ao governo.
Mantendo o tom cortês do encontro com o presidente do Supremo, o ministro afirmou que o Executivo se colocará à disposição para fazer estudos de impactos de quaisquer propostas de alteração no projeto do governo, sem preconceitos. Mas, ao mesmo tempo, salientou que o objetivo fundamental é eliminar um ''fator de constrangimento orçamentário grande'' existente na Previdência dos servidores. ''A Previdência não pode criar dificuldades adicionais ao orçamento'', disse.
Apesar da economia nas declarações, Maurício Corrêa aparentou estar esperançoso após a reunião com Berzoini. ''O que interessa dizer é que iniciamos formalmente o diálogo e que há possibilidade de progredirmos'', disse. Corrêa garantiu que ''a preocupação do Judiciário é com o Brasil''. ''Nós daremos a nossa contribuição e espero que possamos chegar a um resultado que atenda reciprocamente aos interesses da reforma da Previdência e da magistratura'', afirmou.

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