Berzoini assume articulação política; Ideli vai para SDH
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sexta-feira, 28 de março de 2014
Das Agências 
Brasília - A presidente Dilma Rousseff oficializou ontem a saída da ministra Ideli Salvatti da pasta das Relações Institucionais e sua transferência para a Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência. Ideli será substituída pelo deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) no comando das articulações com o Congresso Nacional. Já a ministra Maria do Rosário, que ocupava a pasta dos Direitos Humanos, deverá se candidatar a deputada federal no Rio Grande do Sul.
Foram, ao todo, 13 modificações em seu quadro de ministros desde o início do ano. A posse dos dois será na próxima terça-feira, às 11 horas. A mudança encerra a reforma ministerial de Dilma, que, ao longo dos últimos meses, viu sua base aliada na Câmara sofrer o maior racha desde a sua posse.
Liderada pelo PMDB, impôs derrotas ao governo, em meio à ameaça da criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a compra da refinaria Pasadena (EUA) pela Petrobras.
Segundo petistas, Berzoini, que conta com o aval de Lula e do presidente do PT, Rui Falcão, tem mais trânsito no Congresso. A orientação da cúpula do PT seria reforçar os poderes da Secretaria, considerada hoje com pouca autonomia, e ainda conter insatisfações internas do Planalto, em especial de Dilma, em correntes petistas.
Alvo de críticas
Bombardeada pela base aliada por conta da frágil articulação política do governo e da demora na liberação de emendas parlamentares, Ideli Salvatti assume a Secretaria de Direitos Humanos já na mira de lideranças do movimento gay e do próprio Partido dos Trabalhadores, que a acusam de ter pouca afinidade com os temas tratados pela nova pasta.
"Ideli é uma companheira valorosa no setor sindical, educacional, mas nada tem a ver com direitos humanos, não tem o perfil para tocar essa temática", criticou o coordenador nacional do setorial de direitos humanos do PT, Rodrigo Mondego. "Nas relações institucionais, a grande crítica feita à ministra Ideli foi em relação ao diálogo (com os parlamentares) e a SDH tem como principal característica o diálogo com os movimentos sociais."
Além de lideranças do PT, o nome de Ideli também encontra resistência dentro do movimento gay, que se ressente da orientação da ministra de não colocar em votação o projeto de lei que criminaliza a homofobia, no ano passado. "A indicação dela é péssima", afirmou o presidente do Grupo Gay da Bahia, Marcelo Cerqueira. "A Ideli não tem jogo de cintura, não está associada com as lutas de direitos humanos, é uma mulher travada com os interesses do núcleo político dela", disse Cerqueira. "Ideli não nos representa."
Nesta semana, o Grupo Gay da Bahia elegeu a ministra uma das inimigas da comunidade gay, dedicando-lhe o troféu "pau de sebo" por "ter sido 'moleca de recado' da presidente Dilma determinando o arquivamento do projeto de lei que equiparava homofobia ao racismo". Procurada pela reportagem, a assessoria de Ideli não quis comentar as críticas.


