Brasília - O candidato a presidente do PT pelo Campo Majoritário, Ricardo Berzoini, decretou ontem o fim de sua própria corrente, ao reconhecer que precisará compor com outras alas se quiser manter a hegemonia interna após a eleição interna de domingo. Mas ao mesmo tempo que se rendiam aos fatos, os líderes do ex-Campo iniciaram uma operação de limitação de danos, tentando dar um viés positivo à derrocada. Passaram a dizer que a hegemonia das teses defendidas por eles, de uma política econômica ''responsável'' e de alianças ao centro e à direita para assegurar a ''governabilidade'', foi assegurada.
Os resultados preliminares da apuração apontam para uma queda de 8 pontos percentuais no desempenho do Campo na comparação com a votação anterior, há quatro anos. As projeções, com quase três quartos dos votos apurados, indicam que a ala deve ficar abaixo da marca simbólica de metade dos votos, obtendo cerca de 44%. Em 2001, conseguiu 52%. ''O recado das urnas é que o Campo Majoritário deixa de ser o campo majoritário. É o fim das maiorias fixas no PT'', disse Berzoini. A preocupação da direção do partido é não passar a impressão de que o crescimento dos ''radicais'' colocará em xeque a política econômica. Um deles - provavelmente Raul Pont (Democracia Socialista) ou Valter Pomar (Articulação de Esquerda) - deve disputar um segundo turno contra Berzoini em 9 de outubro.

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