Bertholdo: APPA atravessou negociação
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Catarina Scortecci<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - A declaração do governador Roberto Requião
(PMDB) contra o fato de a Fundação Copel não ter exercido seu direito de preferência na compra das ações da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ) na Terminais Portuários da Ponta do Félix (TPPF), em Antonina, ganhou outros contornos ontem, com a oitiva do engenheiro eletricista da Copel Edilson Bertholdo aos membros da Comissão de Fiscalização da Assembleia Legislativa do Paraná. Bertholdo, cujo pedido de afastamento da presidência da Fundação Copel foi confirmado anteontem, falou por quase três horas com os parlamentares e, por fim, concedeu uma entrevista à imprensa. Bertholdo revelou que considerava um bom negócio as ações da Previ, mas que a Fundação Copel não exerceu seu direito de preferência porque a Superintendência dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) comunicou que estava interessada, ela mesma, na compra das ações.
A afirmação do ex-presidente da Fundação Copel está amparada numa carta enviada pela APPA à Previ, em 28 de outubro de 2009, na qual ela manifesta sua decisão de compra da participação acionária dessa Previ nos TPPF, solicitando que Vossas Senhorias nos apresentem uma proposta de venda com todos os valores e minúcias sobre a questão, a fim de podermos efetivar a compra ora anunciada. A carta da APPA foi enviada três dias antes do término do prazo para a Fundação Copel exercer seu direito de preferência, em 31 de outubro de 2009.
A Previ comunicou formalmente aos sócios da TPPF a oferta de todas as suas ações em 29 de setembro de 2009 para a Equiplan Consultoria Empresarial Ltda. A partir daí, os demais sócios da TPPF (além da Fundação Copel, o Fundo de Pensão Multipatrocinado, o Funbep, o Instituto de Seguridade Social, o Portus, e a Fundação Sanepar de Previdência e Assistência Social, a Fusan) tinham 30 dias para se manifestarem sobre seus direitos de preferência. Mas, por conta da manifestação da APPA, Bertholdo explica que o Conselho Deliberativo da Fundação Copel nem chegou a discutir efetivamente a possibilidade de comprar as ações da Previ.
Ele não sabe dizer, contudo, porque as negociações com a APPA não avançaram, embora uma reunião entre ela a a Previ chegou a ser realizada no Rio de Janeiro, no último dia 3. Eu não sei o que aconteceu. Mas o atravessamento da APPA no negócio tirou a Fundação Copel do jogo? Sem dúvida alguma, respondeu ele. Não diria que a Fundação Copel perdeu. Até porque ela tem outros negócios, provavelmente muito mais rentáveis do que aquele que foi apresentado na Ponta do Félix. Mas era uma opor-tunidade, afirmou ele, que não quis, contudo, apontar culpados. Não existem culpados. É apenas um negócio que deixou de ser feito, resumiu ele.
Bertholdo revelou ainda que não houve nenhuma cobrança oficial do governo do Estado ou da Copel para que a Fundação Copel adquirisse as ações da Previ. Não recebi nada formalmente. Não existiu nenhuma orientação, disse ele. O ex-presidente da Fundação Copel também reforçou que tal interferência do chefe do Executivo é indevida: Os fundos de pensão têm que ter autonomia para tomar suas decisões. Essa interferência é algo muito mal vista pelo próprio sistema. Você não pode lapidar patrimônios, comprometer aposentadorias de milhares de pessoas, em função de decisões intempestivas. As decisões têm que ser técnicas. Pode ser feito um encaminhamento, mas vai ser analisado. Não é um simples desejo que vai ser cumprido.
Na semana passada, Requião chegou a sugerir aos parlamentares a abertura de uma CPI para investigar o fato de o então presidente da Fundação Copel não ter acatado sua determinação em comprar as ações da Previ. O peemedebista também pediu a exoneração de Bertholdo. Ontem, a Fundação Copel informou que seu diretor financeiro, Carlos Eduardo Felsky, responderá cumulativamente, pelo comando da instituição.
Bertholdo também destacou que qualquer decisão da Fundação Copel é consequência de uma reunião do seu Conselho Deliberativo e que, sozinho, ao contrário do que sugeriu o governador, ele não teria competência para decidir se compraria ou não as ações da Previ. Não é papel exclusivo do presidente da Fundação Copel fazer qualquer aquisição. Todas as decisões são tomadas por colegiado. Compete ao presidente apenas cumprir as determinações que foram repassadas a ele. É uma forma da gente proteger o capital, que é de todos os copelianos, ressaltou.
O presidente da Comissão de Fiscalização, deputado estadual Artagão Júnior (PMDB), disse que serão necessárias novas convocações para esclarecer o caso. Marlos Gaio, presidente do Conselho Deliberativo da Fundação Copel, Rubens Ghilardi, presidente da Copel, e Daniel Lúcio Oliveira de Souza, superintendente da APPA, serão chamados.


