Beron seria lavanderia do dinheiro do esquema
BRASÍLIA - A CPI dos Títulos Públicos pretende aprofundar as investigações no Banco do Estado de Rondônia (Beron) porque os senadores acreditam ter encontrado um superesquema de lavagem de dinheiro de títulos e de tráfico de drogas. Isso sem contar o uso da instituição para a evasão de divisas. Coube ao senador Romeu Tuma (PFL-SP) a missão de fazer a investigação no Beron.
De acordo com os documentos enviados pelo Banco Central à CPI dos Títulos Públicos, as empresas Split, Perfil, Investi-Sul e Negocial transferiram R$ 1,07 bilhão para bancos, empresas e pessoas físicas na fronteira do País. Muitos dos beneficiados pelas transferências são as mesmas pessoas e instituições que receberam cheques da IBF Factoring, empresa apontada como de fachada, que era utilizada para a lavagem de dinheiro.
O senador Esperidião Amin (PPB-SC) disse que do dinheiro da lavagem muito pouco se refere a títulos públicos destinados ao pagamento de dívidas vencidas cobradas na Justiça - os precatórios investigados pela CPI. Segundo ele, o dinheiro desviado para agências da fronteira do Brasil com o Paraguai e Uruguai foi obtido nas negociações com outros títulos públicos de rolagem de dívidas, de tráfico de drogas e de sonegação fiscal.
Os recursos que passaram pela agência do Beron em São Paulo foram depositados nas agências dos bancos do Brasil, Rural, Banespa, Unibanco, Bradesco e Banestado em Foz do Iguaçu, Cascavel e Londrina, no Paraná; Campo Grande e Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, e Fortaleza, no Ceará.
Para o senador Romeu Tuma, o dinheiro era encaminhado ao exterior já transformado em dólar. A apuração feita de julho a novembro na agência do Beron em São Paulo constatou a existência de 67 contas atípicas, responsáveis por movimentação de grandes somas de dinheiro. Auditoria do Banco Central revelou que 43 delas estavam sendo usadas pelas corretoras para fazer lavagem de dinheiro. Algumas eram de clientes antigos e outras foram abertas pelas fraudadores. Pegamos a máquina de evasão do dinheiro, da sonegação fiscal e do tráfico, afirmou Esperidião Amin.
O relator da CPI dos Precatórios, Roberto Requião, informou que no período de 2 a 15 de abril pretende concluir o relatório sobre a responsabilidade dos administradores públicos na operação irregular de títulos públicos e que a partir daí deverá pedir a prorrogação dos trabalhos da comissão por mais 90 dias para trabalhar com calma, nas investigações sobre as negociações feitas com os títulos. Nessa segunda etapa, Requião disse que vai trabalhar mais próximo da Receita Federal e da Polícia Federal e não haverá mais depoimentos quase diários na comissão.
O relator da CPI dos precatórios recebeu material do Tribunal de Contas do Município de São Paulo sobre as operações feitas com os títulos destinados ao pagamento de dívidas judiciais. Junto com o material foi enviada uma carta assinada por vereadores, reclamando que as investigações deveriam ser da Assembléia Legislativa e não da CPI. Na verdade esses vereadores estavam tentando impedir o trabalho da CPI, disse Requião.





