O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, afirmou ontem em Londrina - onde participou de um evento na Pontifícia Universidade Católica (PUC) - que cabe à Justiça e à CPI dos Bingos investigarem a denúncia de que o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) teria pedido R$ 500 mil ao prefeito Nedson Micheleti (PT), em 2004, em troca de apoio no segundo turno das eleições.
''Os juízes, os promotores, que podem tomar providências, têm autonomia e têm condição de saber o que é melhor. Se quiserem fazer (investigação), vão fazer. A denúncia está feita, falei isso em setembro, foi público, todo mundo sabe'', disse o ministro.
''O deputado (Hauly) tinha uma dívida, segundo ele, de R$ 500 mil. Ele só aceitava apoiar o Nedson se recebesse R$ 500 mil em duas parcelas, tendo que ser uma de R$ 250 mil antes dele declarar o apoio. Agora, temos uma investigação correndo em Brasília. A CPI que chamou a dona Soraya (Garcia) para depor, que tome as providências, quebre o sigilo bancário de todo mundo e bote para quebrar'', complementou, se referindo ao depoimento da ex-assessora financeira da reeleição de Nedson, que relatou aos senadores da CPI dos Bingos, supostas irregularidades na campanha petista.
O deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB), negou que tenha pedido dinheiro em troca do apoio nas eleições e atribuiu a denúncia dos petistas ''a um abraço de afogado''. ''O que Londrina, o Paraná e o Brasil querem saber é o que a senhora Soraya reiterou na CPI dos Bingos. A questão é uma só: apurar as denúncias, reabrir o inquérito, retomar as investigações punir as irregularidades constatadas na candidatura de Nedson Micheleti e sem dúvida alguma, a irritação do senhor Paulo Bernardo, André Vargas (deputado estadual), é que eles sabem que o inquérito continuando, é iminente a cassação do mandato do Nedson'', afirmou.
Hauly reiterou o desafio para que os petistas disponibilizem os sigilos bancário e fiscal à CPI. ''Desafiei e continuo desafiando ele (ministro) e o André Vargas, o Nedson, a Gleisi Hoffmann (diretora da Itaipu), a abrirem o sigilo bancário e fiscal na CPI e faria o mesmo gesto. Não tem cabimento ficar me acusando. Não pedi dinheiro nenhum, não recebi dinheiro nenhum. Não devo nada'', disse.
O ''desafio'' foi criticado pelo ministro. ''Acho que é uma hipocrisia do deputado. Me parece que abrir o sigilo, se for o negócio de caixa 2, não vai aparecer nada no sigilo bancário. Eu não tenho nenhum problema. Se precisar fazer depoimento na CPI eu vou, se precisar quebrar sigilos de todo mundo, está tudo certo, mas acho que o deputado tem que dizer claramente o que ele não consegue dizer, que ele não fez essa tentativa de vender o voto dele'', concluiu.

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