Curitiba - O petista Paulo Bernardo disse ontem que as críticas do governador Beto Richa (PSDB) ao governo federal ''são infundadas'', uma vez que o Paraná é o Estado que mais recebe recursos da União no Sul do Brasil. ''O Paraná tem mais convênios com o governo federal que Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Enquanto o Paraná tem R$ 3,8 bilhões, os gaúchos têm R$ 3,4 bilhões e Santa Catarina R$ 2 bilhões'', disse Bernardo. O político é um dos dirigentes nacionais do PT e foi ministro de Planejamento do ex-presidente Lula. Hoje é titular da pasta das Comunicações e marido da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT). ''Se ficar sentado é que não vai resolver os problemas do Paraná'', alfinetou Bernardo.
As declarações foram dadas na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, ontem à tarde, quando Bernardo e o deputado federal Angelo Vanhoni (PT) apareceram no plenário para cumprimentar os colegas políticos. Mais cedo Bernardo esteve num evento na Federação das Indústrias, em que defendeu a desoneração de impostos na telefonia. Na semana passada, Beto repetiu para empresários paulistas que considera a União uma ''agiota dos Estados''. Ele citava um caso do Paraná, que em 1998 financiou R$ 5 bilhões com a União. ''O Estado já pagou R$ 9,5 bilhões dessa dívida e está devendo outros R$ 9 bilhões. Isso é impagável'', atacou Beto.
Outro argumento frequente de Beto nas críticas ao governo federal é a queda nos repasses federais. ''O Paraná é o quinto Estado que mais arrecada e o 23º no recebimento de recursos federais. Precisamos rever a divisão do bolo tributário'', chiou o tucano. Bernardo contestou essas declarações do governador e disse que Beto ''não tem informações suficientes''. ''Não quero acreditar que ele tenha dito isso de má-fé. Você iria mentir só por ter uma eleição perto, vai passar por cima dos fatos?'', provocou o petista.
Paulo Bernardo atribuiu esse relacionamento conturbado a 2014, quando Beto concorrerá à reeleição ao Palácio Iguaçu contra um candidato da oposição. Esse nome pode vir do PT, na pessoa de Gleisi Hoffmann, ou de outros partidos da base aliada de Dilma, como o ex-senador Osmar Dias, do PDT. ''A candidatura da Gleisi depende de Dilma. Em 2010, eu desisti de ser candidato por um pedido do Lula'', avisou o petista. Na conversa de Bernardo e Vanhoni com a imprensa, o nome dos dois e do deputado federal André Vargas foram citados como alternativas na chapa da oposição.
Perguntado sobre uma coligação com o PMDB, apesar da proximidade da bancada estadual com Beto, o petista disse que não veria problema numa coligação. ''Não somos nós que vamos fechar as portas'', declarou Bernardo. Ele também citou PCdoB, PV, PP, PTB e PR como opções para 2014.

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