Curitiba - O ministro do Planejamento, Gestão e Orçamento, Paulo Bernardo, disse ontem em Curitiba que vai reduzir os gastos com a máquina administrativa para conseguir recursos financeiros que possam ser usados para programas emergenciais do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre as ações já programadas pelo ministro estão: modernização do sistema de compras, uniformização das ações interministeriais, aceleração da informatização e redução do processo burocrático para investimentos em obras nos estados brasileiros.
O sistema de gastos dos ministérios deve ser completamente remodelado. O ministro quer evitar que sobrem recursos no Tesouro estadual por falta de planejamento e gestão. No ano passado, não foram aplicados cerca de R$ 200 milhões já liberados para o Ministério dos Transportes por falta de procedimentos de empenho dos recursos. ''E eram obras importantes'', pontuou o deputado federal licenciado. Paulo Bernardo acredita que os três mandatos que teve como deputado federal, sempre ligado à área de orçamento da União, vão auxiliá-lo no gerenciamento e fiscalização da aplicação dos recursos dos ministérios.
Bernardo conta ainda com a experiência que teve como secretário das Finanças de Londrina e como secretário de Estado da Fazenda, no Mato Grosso do Sul. ''Vou trabalhar para melhorar a imagem política do Paraná e auxiliar o Estado para que ele possa ter mais recursos no orçamento'', prometeu ele. O ministro pretende ser uma ponte entre o Estado e o governo federal para buscar soluções para as universidades estaduais. ''Não é possível que o Paraná tenha apenas uma universidade federal e em Minas Gerais termos 13. Os recursos estão sendo mal distribuídos e temos que ajudar o Paraná a reverter esse problema. Eu, como ministro do Planejamento, não posso resolver. Mas posso ser uma ponte'', explicou.
Se conseguir reduzir os gastos do governo federal, sobrarão recursos para os projetos prioritários do governo Lula. Um deles é o chamado ''projeto piloto'', que tem como meta aplicar R$ 2,8 bilhões em programas de políticas sociais. Deste valor, R$ 2 bilhões são para melhorias e recuperação de estradas em todo o Brasil. O Paraná será contemplado com R$ 100 milhões. ''Isso no projeto piloto, mas teremos a liberação de outros recursos para o Estado'', garantiu.
Paulo Bernardo comentou ainda a aprovação da Medida Provisória (MP) 232, no Congresso Nacional. A medida, que está gerando polêmica, deverá entrar em votação entre terça-feira e quinta-feira. Ela reduz o imposto de renda para os assalariados e aumenta o imposto dos prestadores de serviço, fazendo exigência de recolhimento do imposto na fonte. Bernardo admitiu que a MP deverá sofrer alterações, mas garantiu que ela será aprovada. ''O governo não tem a pretensão de aprová-la da forma como ela foi enviada ao Congresso Nacional. O texto vai ser negociado. A solução para o impasse será manter a cobrança dos tributos, mas permitindo o ressarcimento das empresas através da contribuição previdenciária dos funcionários. Seria uma forma de compensação'', ponderou o ministro.

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