Bernardo pode depor na CPI dos Bingos
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2006
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, enviou ontem à CPI dos Bingos correspondência em que se coloca à disposição para prestar depoimento ao grupo. A iniciativa foi provocada pelo requerimento assinado anteontem pelo senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), que pediu a convocação de Bernardo ante as denúncias feitas pela ex-assessora financeira do PT em Londrina, Soraya Garcia, no depoimento à Comissão no último dia 8.
Endereçada ao presidente da CPI, senador Efraim Moraes (PFL-PB), a carta foi lida na reunião de ontem à tarde da Comissão pela senadora Ideli Salvatti (PT-SC) aos demais membros. No documento, Bernardo se refere a uma conversa telefônica entre ele e Moraes, ontem de manhã, e se prontifica a falar à CPI para esclarecer dúvidas surgidas pelas declarações de Soraya.
Ao longo da breve correspondênica, o ministro avisa ainda que pretende relatar a essa CPI todos os detalhes das conversas que mantive com o deputado Luiz Carlos Hauly, quando fui por ele procurado para discutir eventual apoio do mesmo ao candidato do PT à reeleição em Londrina, Nedson Micheleti, em 2004. Desde que o fato tem sido divulgado pelos petistas, o tucano nega o suposto assédio.
A única ressalva feita pelo ministro é para que, no caso de uma eventual audiência, ele não seja chamado ao longo desta semana em virtude da agenda de compromissos do Ministério. A carta de Bernardo à Comissão foi repassada também aos líderes do Governo e do PT, bem como ao relator da CPI dos Bingos, senador Garibaldi Alves.
O requerimento de Barros pede não o convite, mas a convocação para que o ministro explique as denúncias de Soraya em relação a um suposto esquema de caixa 2 na campanha pela reeleição do prefeito Nedson Micheleti (PT), em 2004. No depoimento de três horas e meia, a ex-assessora acusou Bernardo e outros petistas do alto escalão do Governo Federal de participarem da arrecadação de cerca de R$ 5,2 milhões não declarados à Justiça Eleitoral para a campanha de Nedson.
No dia seguinte, o ministro negou a suspeita e atribuiu a Hauly a autoria das informações de Soraya. Ainda na ocasião, o petista voltou a afirmar que o deputado teria lhe pedido R$ 500 mil para apoiar o PT no segundo turno, ao que o tucano classificou como abraço de afogado dos petistas.
Por meio da assessoria de imprensa, o autor do requerimento e membro titutar da CPI fez questão de ressaltar que Bernardo fosse convocado, e não convidado a depor, a fim de que ele assuma o compromisso de dizer a verdade. (Antonio) Palocci (ministro da Fazenda) veio depor na condição convidado e deixou várias dúvidas, comparou.
A assessoria da CPI dos Bingos informou no fim do dia que ainda não há uma data para o depoimento de Bernardo, mas que isso pode ser discutido na reunião administrativa marcada para amanhã à tarde.


