Curitiba - O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que estava no Ministério do Planejamento durante o período em que a Delta Construções, suspeita de ter ligações com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, conseguiu parte dos contratos em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), disse ontem, em Curitiba, que todas foram conquistadas por meio de licitação. Mas acentuou que, apesar de ter dúvidas sobre a necessidade de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para esse assunto, ela será importante para os esclarecimentos.
''A nossa visão é que esse assunto tem que ser esclarecido, em relação a essa empresa Delta e o Cachoeira, que tipo de relação é essa'', salientou. ''Para ser sincero, eu tinha dúvidas sobre isso (criação da CPI), mas eles resolveram fazer, acho que é democrático, o Congresso vai tocar e eu não tenho dúvidas de que os dirigentes dessa empresa vão ser convidados ou convocados a esclarecer todas essas questões e eu acho que isso vai ser bom para o País, a gente saber como essas coisas acontecem.'' A Delta Construções tem contratos de R$ 862,4 milhões em recursos federais.
Para o ministro, a CPI será a oportunidade de a empresa e das pessoas acusadas de terem ligações com ela se explicarem. Entre essas pessoas está o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). Em entrevista ao Grupo Estado, ele declarou que ''não tem culpa no cartório'' e que, por isso, descarta a possibilidade de renúncia. Para Bernardo, não apenas Queiroz deverá se explicar, mas também o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), visto que há denúncias de ligação de assessores com Cachoeira. ''A imprensa está dando destaque para o Agnelo e já até esqueceram os problemas lá no governo de Goiás'', disse Bernardo. ''Acho que não podemos condenar ninguém por antecedência. Como vai ter CPI e a CPI tem condições de esclarecer, todo mundo vai ter oportunidade de se defender e explicar o que aconteceu.''
Questionada sobre o mesmo assunto, que tem sido tema da maior parte das discussões políticas nos últimos dias, a ministra-chefe da Casa Civil e mulher de Bernardo, Gleisi Hoffmann, preferiu esquivar-se. ''Eu não estou acompanhando esse assunto'', afirmou. ''O Congresso Nacional está discutindo a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito Mista. Acredito que se isso acontecer, se a comissão se instalar, será um espaço para se discutir e levantar todas as informações desse processo.'' O casal esteve em Curitiba para participar de eleições internas do PT que escolheria se o partido faria coligação ou teria candidatura própria para as eleições municipais.

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