Brasília - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, atribuiu ontem ao processo eleitoral a não-votação, no prazo definido pela Constituição, da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). ''Essas dificuldades no Congresso são normais, especialmente em ano de eleições, quando há mais radicalidade e a sensibilidade política está à flor da pele'', afirmou o ministro.
Bernardo qualificou a atual conjuntura política no Congresso de ''especialmente ruim'', com sensível redução na possibilidade de diálogo. ''Espero que melhore após as eleições'', disse. Bernardo destacou que a aprovação da LDO é essencial para que o governo tenha parâmetros adequados para fechar a Proposta de Lei Orçamentária, que tem de ser entregue até o dia 31 de agosto.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), criticou as declarações do ministro. ''Considero Paulo Bernardo uma pessoa equilibrada e a minha esperança era que o presidente Lula aprendesse com ele e não que ocorresse o contrário'', afirmou. ''A não-aprovação da LDO não tem nada a ver com as eleições'', disse. Ele argumentou que o que emperra as negociações é o mecanismo que o governo introduziu no texto enviado ao Congresso que permite a execução de obras em andamento mesmo sem a aprovação do Orçamento, caso ele não seja votado no prazo constitucional. ''Esse é um problema de fundo. Se o governo revogar este dispositivo a gente vota no dia seguinte'', afirmou.

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