Brasília - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, confirmou que amanhã, em reunião do Conselho Político do governo, a equipe econômica vai discutir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva as medidas necessárias para cobrir o rombo de R$ 40 bilhões aberto com o fim da CPMF a partir de 1º de janeiro. O ministro admitiu que poderão haver medidas de elevação de tributos. ''Pode (haver aumento de tributos), mas não tem decisão'', afirmou. ''Não há decisão ainda sobre como vamos nos comportar. Precisamos buscar mais receita e diminuir gastos. Não há mágica que nos permita fugir dessa equação'', explicou.
Bernardo disse que o Congresso reestimou as receitas do orçamento de 2008 elevando-as em R$ 21 bilhões. Informou, porém, que os recursos das emendas já estão comprometidos. Para ele, é importante que governo e Congresso negociem os cortes. Disse que, particularmente, preferiria eliminar as emendas coletivas de bancadas parlamentares, que somam R$ 12 bilhões. ''Mas essa minha proposta não foi muito bem aceita'', admitiu.
Para o ministro, o problema mais grave continua sendo o da saúde, que perdeu R$ 22 bilhões em recursos. Ele explicou que será necessário encontrar fontes de financiamento para recompor o orçamento da sa© úde e acrescentar mais R$ 2,5 bilhões necessários para cobrir os gastos adicionais com o reajuste da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS).
Ele informou que pretende apresentar na reunião proposta para ''segurar'' por algum tempo as decisões sobre reajustes salariais para os servidores públicos. Questionado se amanhã já poderiam ser anunciadas medidas concretas, ele afirmou: ''Não sei o que vamos anunciar, mas não vamos fazer nada de afogadilho''.
Tucanos e parlamentares do DEM criticaram a atitude do ministro. ''É uma escalada de ameaças. Primeiro foi o ministro Mantega (Guido, da Fazenda), depois o da Saúde (José Gomes Temporão), Paulo Bernardo e até o Patrus (Ananias, titular da pasta do Desenvolvimento Social). Na base da chantagem, não vai levar a nada. Já perdeu a CPMF e pode perder a DRU e perder mais'', reagiu o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ).
Em relação à ameaça de mexer nas emendas, sejam elas coletivas ou não, dos parlamentares no Orçamento de 2008, Maia disse que ''a matéria agora está com o Congresso e não cabe mais ao Planalto interferir''. ''É mais uma chantagem. Senadores da própria base do governo já afirmaram que tem no Orçamento um monte de receita escondida para o ano que vem.''

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