O vereador afastado Osvaldo Bergamin (sem partido) protocolou ontem sua defesa na Comissão de Ética da Câmara Municipal, que o investiga por suspeita de manter funcionários ''fantasmas'' em seu gabinete, e sustentou que a contratação de assessores que não prestam expediente é normal no Legislativo de Londrina. Segundo ele, trata-se de uma prática que ''não implica em quebra de decoro parlamentar''. ''É usual a utilização de funcionários que exercem suas funções fora do espaço físico da Câmara.'' Bergamin, porém, rechaçou a alcunha de ''fantasma'' a estes servidores.
O vereador afastado se transformou em alvo de investigação após a descoberta de que sua ex-assessora Vanderléia Faria da Mota era proprietária de um salão de cabeleireiro, onde prestava expediente em tempo integral. A informação foi confirmada por ela em conversa telefônica com a FOLHA.
Em sua defesa, Bergamin citou cinco casos que considera semelhantes ao seu. O vereador mais implicado por ele é Tercílio Turini (PPS), que teria dois funcionários ''fantasmas''. Um deles é Roberval Faria, acusado de ser funcionário da empresa Café Itamaraty ao mesmo tempo em que prestaria assessoria a Turini. O vereador também foi acusado de manter em seu gabinete um funcionário chamado Arnaldo que não prestava expediente - quem trabalharia de fato e receberia o salário seria a esposa de Arnaldo, de nome Lucilene.
A presidência da Câmara, exercida pelo vereador Sidney de Souza (PTB), foi acusada de contratar João Frisseli como assessor, que seria funcionário da Farmácia da Prefeitura, e o vereador Marcelo Belinati (PP) teria dado emprego a Sebastião Sales, que não prestaria expediente no Legislativo.
O último funcionário citado por Bergamin seria, na verdade, um ''fantasma'' da Assembléia Legislativa - que daria expediente na Câmara. De acordo com ele, o assessor do deputado estadual Antônio Belinati (PP) estaria prestando serviço para o vereador Fernando Nicolau (PP), que assumiu na vaga do vereador afastado Renato Araújo (PP).
O advogado Ronaldo Neves, que assina a defesa de Bergamin, cogitou ontem a possibilidade de estabelecer um acordo de delação premiada com o Ministério Público (MP), que também investiga os 'fantasmas' da Câmara. ''Há essa possibilidade. Vamos tomar uma decisão no transcurso dessa semana'', disse ele.
Para evitar a cassação de mandato do vereador, que pode ser proposta pela Comissão de Ética, Neves afirmou que Bergamin também pode optar pela renúncia. ''Nós tivemos hoje uma conversa ampla a respeito disso e ele está avaliando.''

mockup