Beraldin e Elza Correia travam outro bate-boca
Curitiba - A CPI do Banestado foi palco ontem de novo bate-boca entre o presidente Neivo Beraldin (PDT) e a relatora Elza Correia (PMDB), que chegou a ameaçar deixar a audiência e colocar o cargo em discussão numa reunião interna. A briga começou logo na abertura dos trabalhos, quando o advogado Marcelo Couto contratado para auxiliar nos trabalhos técnicos da CPI sugeriu que a comissão não teria como progredir sem a quebra dos sigilos bancário e fiscal de todos os ex-diretores do Banestado.
A deputada do PMDB ficou irritada e disse que o advogado não precisava relembrá-la de seu papel de seriedade dentro da comissão. ''Infelizmente, a forma que essa CPI está sendo encaminhada está me causando um grande constrangimento. Essa pressão que está sendo feita é desnecessária'', declarou Elza. Beraldin continuou a fazer a leitura de uma entrevista em que a parlamentar disse acreditar que a CPI não teria condições de finalizar os trabalhos em tempo regulamentar, tamanha a complexidade das investigações. ''Vou me retirar dessa sessão e vou me reunir com a bancada do PMDB para saber da necessidade que eu continue nesta CPI'', declarou ela, indignada.
Nelson Justus (PFL) tentou apaziguar os ânimos. ''Esse tipo de discussão deveria ser feito em reuniões internas. Temos que aparar as arestas para não fazermos papel ridículo, como o que estamos fazendo hoje aqui'', disse. Reni Pereira (PSB) também pôs panos quentes. Ele sugeriu que todas as discussões fossem encaminhadas com antecedência aos gabinetes dos parlamentares para que os assuntos a serem despachados como quebra de sigilos fossem antecipadamente conhecidos por todos. ''Essas brigas desmotivam a gente, que sabe que tem um papel importante de investigar denúncias de fraude e prejuízo aos cofres públicos'', complementou Luciana Rafagnin (PT).
Elza Correia desistiu de deixar a audiência, mas insistiu na indignação. ''Os trabalhos estão sendo mal conduzidos. A impressão que tenho é que querem que eu deixe a relatoria'', disse ela. Por causa das discussões, não foram votadas as quebras de sigilo de outros nove diretores do Banestado e de nove empresas que supostamente teriam feito contratos lesivos ao patrimônio público. ''A Elza está querendo ganhar mídia em cima de mim. É fácil contestar tudo o que é feito e atrasar os trabalhos da CPI. Temos que agilizar'', enfatizou Beraldin.(L.P.)





