Levantamento feito pela Folha junto a empresários dos setores agrário, imobiliário, de água mineral e de revendedores de veículos revela que o patrimônio do ex-secretário da Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, pode ser superior a R$ 15 milhões. Ele está com os bens indisponíveis por determinação da Justiça. Na semana passada, o MP propôs ação civil por improbidade administrativa contra Paolicchi e pede que ele devolva R$ 2,6 milhões aos cofres públicos.
Mas o próprio MP reconhece que os desvios podem ser maiores. ‘‘Há indícios de que o dano possa ser superior ao valor até então apurado, considerando o patrimônio que o ex-secretário ostenta, exterioriza’’, disse ontem à Folha o promotor José Aparecido da Cruz, autor da ação civil.
Na ação, o promotor relacionou dez fazendas de propriedade de Paolicchi no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, que chegam quase a 8 mil hectares. Uma aeronave Lear Jet valeria R$ 4,6 milhões.
No Mato Grosso, as duas fazendas ficam em Nova Mutum. Uma das propriedades é vizinha da fazenda do prefeito de Maringá Jairo Gianoto (PSDB). As duas áreas de Paolicchi têm cerca de 5,2 mil hectares e não 4,2 mil como foi divulgado. A cotação da área de acordo com imobiliaristas da região é de 90 sacas de soja por hectare (R$ 13,50 a saca). O valor da fazenda chega a R$ 4,2 milhões, levando-se em conta que metade da área (2,6 mil ha) é calculada sobre 90 sacas de soja, o equivalente a R$ 3,1 milhões e a outra metade sobre 30 sacas por ha, o equivalente a R$ 1,05 milhão. A diferença se justifica porque parte da fazenda é em mata.
Em Três Lagoas (MS), as oito propriedades do ex-secretário somam 2,7 mil hectares. O preço do hectare na região varia de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil. Considerando-se a média de R$ 1,25 mil, o valor das fazendas atingiria R$ 3,3 milhões.
A Mineradora de Água Rai© nha Ltda., de Iguaraçu (34 km ao norte de Maringá) valeria R$ 2 milhões. Fontes do setor consultadas pela Folha apontam que o investimento mínimo numa empresa como a Rainha, que engarrafa e distribui a água Safira, é de US$ 1 milhão. O alto valor é por conta de equipamentos importados para higienização e engarrafamento.
Também estão computados no levantamento um apartamento em Curitiba, que valeria R$ 500 mil e outro em Balneário Camboriú (SC), que teria mesmo valor e área de 446 m2, com três garagens.
A sala comercial do Centro Médico Maurílio de Oliveira, na área central de Maringá, onde está instalada uma das empresas de aviação de Paolicchi, está avaliada no mercado local em cerca de R$ 40 mil. Os quatro veículos do ex-secretário custariam, juntos, R$ 118 mil. Paolicchi foi secretário da Fazenda de Maringá de 97 até julho deste ano, com salário mensal de R$ 4 mil brutos.
Além dos bens não serem compatíveis com a renda, também chamou a atenção do MP o fato de Paolicchi ter retificado seu nome em uma das varas da Família de Maringá – antes, a grafia era Paulichi. ‘‘Há indícios de que ele retificou o nome para tentar galgar a dupla cidadania’’, informou Cruz. No Consulado da Itália em Curitiba não consta que Paolicchi tenha requerido a dupla cidadania. Mas fontes da Folha informaram que ele está na Itália desde a semana passada. (Colaborou Marcos Zanatta, de Maringá)