Bens de Janene crescem em 2 anos
Arquivo FolhaDeputado José Janene, que não vai depor: ‘‘Não tenho nada a esconder’’A relação de bens pertencentes ao deputado federal José Janene (PPB) já está em poder do Ministério Público e anexada ao inquérito 002/00. Boa parte deles foi adquirida pela família em 98 e 99, quando os desvios na AMA e na Comurb tiveram seu ápice.
A lista inclui a aquisição, em 88, da empresa F.Jannani, de seu irmão, Faiçal Jannani. Penhorado em 95, o imóvel foi repassado para Pedro Luiz Chimentão (PPB), vereador em Ibiporã. Em 98, Chimentão revende para Fernanda, mulher de Janene, por R$ 350 mil. O imóvel foi registrado no nome de Fernanda e das filhas de Janene, Michelle e Danielle, com usufruto do deputado.
Outra aquisição da família, no ano seguinte, é de uma casa na rua Pandiá Calógeras, onde funciona o escritório político do deputado. O imóvel foi adquirido por R$ 70 mil, mesmo valor de um apartamento de 441 metros quadrados comprado também em 99, em Matinhos, Litoral do Paraná.
Ainda no ano passado, a família adquiriu dois carros que estão no nome de Fernanda: uma Cherokee preta, de 96, e uma Ford Expedition, de 97. A lista de bens inclui ainda uma chácara e uma casa no Jardim Veraliz, adquirida por Fernanda em 98.
Da lista não constam veículos que os sócios da empresa NB Car, Marcos Aurélio Campiolo e Nabih Bou Roujeile, declaram ao MP ter vendido ao deputado como um Jeep Wrangler, um Audi A 3 e uma BMW Compact. Também não aparece o apartamento no Edifício Arkádia, onde o deputado vive com a família.
A empresa Eletrojan, que pertencia ao deputado, também levanta suspeitas junto ao MP. Em Foz do Iguaçu, ela é investigada pela Procuradoria Geral da República, por serviços que não teriam sido prestados.
Janene disse à Folha que não pretende depor ao MP. ‘‘Os promotores já fizeram um levantamento de toda minha vida e eu não tenho nada a esconder, mas não há o que justifique uma convocação’’. Ele argumentou que a competência de uma eventual investigação é do Supremo Tribunal Federal (STF). ‘‘Se os promotores acharem que há qualquer indício de irregularidades sobre campanha eleitoral, é preciso acionar o STF.’’
Ele afirmou que ‘‘nenhum centavo do dinheiro da AMA e da Comurb’’ entrou em sua conta. O deputado negou ter indicado os ex-diretores da autarquia e da companhia, embora pessoas ouvidas pelo MP e ligadas à AMA e Comurb tenham informado que as indicações partiram de Janene. Ele, que é presidente estadual do PPB, admitiu, porém, que tem adquirido carros e imóveis nos últimos anos, mas alegou que isso só tem ocorrido porque vendeu outros bens. (P.Z.)

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