Curitiba - Os filhos do empresário José Carlos Gomes Carvalho, o Carvalhinho, ainda não entraram com um recurso pedindo a liberação dos bens deixados pelo pai, morto em outubro de 2003. Os bens foram declarados indisponíveis pelo juiz da 1 Vara Cível de Curitiba, Hamilton Rafael Maris Schwartz, atendendo a um pedido da diretoria da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Carvalhinho é acusado de ter participado de um esquema que desviou cerca de R$ 32 milhões do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), uma das entidades vinculadas a Fiep.
O pedido de revogação da indisponibilidade caberia aos filhos de Carvalhinho, Rafaela e José Carlos Gomes Carvalho Jr. Os dois, porém, estão brigados justamente por conta da divisão do espólio do pai, que está sendo questionado na Justiça. ''De certa forma a indisponibilidade não altera muito a situação do espólio, para o qual ainda não foi nem nomeado um inventariante em virtude da disputa na Justiça'', comentou o advogado de Carvalho Jr., José Cid Campêlo. ''Como ainda não fomos notificados oficialmente da decisão, não conversei com o advogado da filha ainda'', comentou Campêlo. A defesa de Rafaela está a cargo do advogado Elizeu Furquim, que foi procurado pela reportagem da Folha mas está em viagem.
Apesar de frisar que ainda não foi comunicado oficialmente da indisponibilidade dos bens, Campêlo questionou a maneira como o bloqueio foi feito. ''Pelo que foi divulgado, foram bloqueados bens que já eram do patrimônio do Carvalhinho mesmo antes de ele entrar na Fiep. Isso não faz sentido'', comentou Campêlo.
O rombo de R$ 32 milhões foi descoberto após a nova diretoria da Fiep tomar posse em 2003. Uma auditoria apontou um rombo de R$ 2 milhões nas contas do IEL no ano anterior. Investigando os anos anteriores, a diretoria chegou à soma de R$ 32 milhões. ''O problema é que estando a pessoa morta ela pode ser acusada de qualquer coisa. Acho estranho que durante todos esses anos nunca ninguém tenha questionado o balanço da Fiep, que era aprovado em assembléia geral. E justamente agora, com a morte do Carvalhinho, surgem essas denúncias'', questionou Campêlo.
Além de Carvalhinho, dois ex-dirigentes do sistema Fiep também foram acusados de participar do esquema de desvio de verbas do IEL: Ubiratan de Lara e André Luiz Sottomaior, que também tiveram seus bens declarados como indisponíveis. A Folha não conseguiu contato com os dois ex-dirigentes.

mockup