Brasília - O governo estuda uma punição à ministra de Assistência e Promoção Social, Benedita da Silva, pela viagem à Argentina na semana passada, para participar de um encontro religioso às custas do contribuinte. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confidenciou a mais de um interlocutor que está disposto a exigir de Benedita o ressarcimento de todo o dinheiro gasto na viagem e que ela faça uma retratação pública para que a má-repercussão do episódio não prejudique a imagem do governo. Ainda assim, Benedita corre o risco de ter de deixar o cargo antes mesmo da reforma ministerial, prevista para o início de novembro.
Cresce no Palácio do Planalto a pressão para que Lula dispense logo a ministra de Assistência e Promoção Social, que desagradava ao governo por causa da performance. ''Uma ala mais radical do governo, em que se inclui o ministro (da Casa Civil) José Dirceu, defende a tese de que a ministra faça o pagamento, a retratação pública e, em seguida, entregue sua carta de demissão'', conta um interlocutor.
A ministra desembarcou em Buenos Aires no dia 24, com passagens e diárias pagas pelo ministério, e hospedou-se num dos três hotéis mais caros da cidade - o Alvear, onde a diária mais barata custa hoje cerca de R$ 1.200,00. No dia seguinte, participou do 12º Café da Manhã de Oração, promovido por organizações religiosas argentinas, na maioria evangélicas.
A assessoria da ministra tentou justificar a viagem, explicando que a razão era um encontro com a ministra argentina do Desenvolvimento Social, Alicia Kirchner, irmã do presidente Néstor Kirchner. Na verdade, porém, o encontro fora solicitado com apenas 24 horas de antecedência, quando a viagem havia sido registrada no ''Diário Oficial'' da União (DOU).
Ontem, Benedita voltou a dizer que não houve nada irregular: ''Todo esse assunto já foi bem tratado, comprovadamente colocada a agenda de todo um dia de trabalho na Argentina e nós já demos por encerrada essa questão.'' Ainda que Lula não dispense ou force a demissão de Benedita nos próximos dias, há consenso no Planalto de que ela estará fora do governo dentro de um mês.
Miro - Dirceu não é firme apenas na defesa da demissão de Benedita. Ele tem dito, abertamente, em conversas com líderes do governo e de partidos aliados, que não há a menor chance de o ministro das Comunicações, Miro Teixeira, manter-se na equipe filiado ao PDT. ''Ou o Miro sai do PDT, ou deixa o governo'', resume um importante líder governista.
O ministro teve vários convites para trocar de legenda, mas argumenta sempre que gostaria de aguardar no PDT a eleição municipal de 2004, quando, aposta, haverá uma grande mexida no quadro partidário.

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