O senador José Sarney (PMDB-AP) disse ontem que o senador Bello Parga (PFL-MA) - seu amigo e afilhado político - vai continuar à frente dos trabalhos da CPI dos Bancos. Parga está ausente da comissão, desde terça-feira, para tratar da saúde. Seu afastamento possibilitou ao PSDB assumir o comando das investigações que preocupam o governo e colocam sob suspeição o funcionamento do BC.
Consultado sobre a oferta feita a Bello Parga para assumir a presidência da CPI, à época de sua instalação, Sarney chegou a aconselhar ao amigo que não aceitasse o convite. Aos 71 anos e com três pontes de safena, Parga toma cuidados especiais com a saúde. ‘‘Já que entrou, agora ele fica, e este é o desejo dele’’, afirmou Sarney.
O senador passou o dia de ontem fazendo exames no Incor, em São Paulo. Da capital paulista, Bello Parga ligou para seu gabinete e avisou que pretendia presidir a reunião marcada para hoje.
O presidente interino da CPI, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), esquivou-se de qualquer comentário sobre sua permanência no comando da comissão. ‘‘Bello Parga está apenas fazendo exames de rotina’’, disse. Mas Arruda já vem sendo cumprimentado por amigos nos corredores do Senado. ‘‘Deus escreve certo por linhas tortas’’, anunciou o deputado Márcio Fortes (PSDB-RJ).
O tucano perdeu a oportunidade de ocupar a presidência da CPI do Sistema Financeiro por causa de uma manobra do PSDB para esvaziar a comissão. O partido decidiu não indicar seus nomes, para tentar impedir que a CPI fosse instalada, mas acabou voltando atrás e ficou com a vice-presidência da comissão.
O afastamento de Parga para dar lugar ao partido de FHC sinalizaria um controle maior sobre as investigações. Mas o PFL já avisou que não vai entregar o comando da CPI.Arquivo FolhaSarney sobre Parga: ‘‘Já que entrou, agora ele fica’’Agência Estado

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