Belinati visita Folha e quase é notificado
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de maio de 2000
Pedro Livoratti De Londrina 
Poucos minutos livraram o prefeito Antonio Belinati (PFL) da notificação pelos oficiais de Justiça, ontem por volta das 20h30. Belinati fazia uma visita de surpresa à Folha. O prefeito permaneceu menos de 10 minutos no prédio, onde concedeu uma rápida entrevista. Belinati veio ao jornal entregar cópia de um ofício da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que ele teria recebido momentos antes. A cópia foi pedida pela defesa do prefeito que questiona o fato de o Ministério Público (MP) não aceitar fitas de vídeo que trazem conversas mantidas com vereadores em seu gabinete. O MP afirma que o material foi uma montagem, com base em informações do Instituto de Criminalística.
Os oficiais de Justiça da 8ª Vara Cível, Edson Bueno e Osvair Bisse, aguardavam o prefeito em frente ao jornal. Belinati teria escapado no momento em que os dois oficiais se preparavam para entrar. Um instante de sorte separou o prefeito da notificação. Segundo um assessor, Belinati teria saído quando um dos oficiais virou-se de costas e foi em direção ao colega, que estava mais distante da portaria. Belinati entrou no carro e saiu rapidamente.
O prefeito está em Londrina desde domingo à noite. Ele passou o final de semana em Curitiba. Por volta das 18 horas de ontem, o prefeito visitou um assentamento. O prefeito ouviu moradores, fez discurso e anunciou benefícios. Pouco depois, ele dirigiu-se à Folha, onde foi recebido pelo diretor-superintende, José Eduardo Andrade Vieira e pelo diretor de Redação, João Arruda.
Em uma rápida entrevista, Belinati disse que o desembargador do Tribunal de Justiça (TJ) José Luiz da Silveira será o responsável pela análise do recurso impetrado pelo advogado de defesa, ClSmerson Merlin ClSve. O prefeito preferiu não falar sobre sua expectativa a respeito do parecer do desembargador. Sobre a notificação, o prefeito respondeu secamente. Eles (os oficiais) é que têm que me encontrar.
A cópia do documento apresentado à Folha representa a resposta de uma solicitação do advogado João Alberto Graça, que também atua na defesa de Belinati. O documento, assinado pelo reitor em exercício da UEL, Márcio de Almeida, menciona dois profissionais que foram requeridos para atuar como assistentes da perícia na análise de fitas apresentadas pelo prefeito, no mês passado. As fitas, de acordo com o prefeito, mostrariam vereadores tentando extorquir Belinati para não aprovar uma Comissão Processante contra ele. Os profissionais, de acordo com o documento, não poderiam ser cedidos pela UEL. Um por não ser ligado à instituição e o outro por estar respondendo a um processo administrativo disciplinar.
Em todos os momentos os promotores falaram da manipulação da fita, o que me parece questionável, afirmou Belinati. A cópia será entregue ao advogado para as devidas providências.
O promotor Cláudio Esteves disse ontem à noite que o próprio Instituto de Criminalística afirmou que as fitas foram montadas. Para o MP esta informação basta, os laudos são assinados por peritos do próprio instituto, afirmou.


