O prefeito Antonio Belinati (PFL) afirmou ontem que continua em pleno exercício de seu mandato em Londrina. A Folha conseguiu contatá-lo ontem, no início da tarde em Curitiba, onde Belinati afirma estar despachando normalmente, desde anteontem, quando deixou Londrina. Segundo informou, em entrevista por telefone, nos últimos dois dias ele manteve contatos com representantes de secretarias estaduais, tentando agilizar projetos na área de pavimentação asfáltica e meio ambiente. O prefeito informou que iria a São Paulo ontem, para contatar empresários do setor de tecelagem que estariam interessados em investir em Londrina.
O prefeito negou que esteja fugindo da intimação da Justiça, que determinou, na última segunda-feira, o seu afastamento por 120 dias, atendendo a pedido do Ministério Público. Belinati disse que está se beneficiando da Lei Orgânica que lhe permite se ausentar por até 15 dias da cidade, sem autorização da Câmara. Mais tarde, a reportagem em Curitiba voltou a contatar o prefeito (leia nesta página).
‘‘Enquanto tramitam os recursos na Justiça, estamos no exercício do mandato’’, afirmou ele. O prefeito disse que, embora respeite o despacho da Justiça, entende que não cabe pedido de afastamento. Ele citou o jurista Ives Gandra Martins, que teria lhe afirmado que a denúncia não justifica o pedido de afastamento.
‘‘Tomamos providências abrindo uma sindicância interna que resultou no envio de uma ação civil contra mais de 50 pessoas físicas e jurídicas’’, justificou o prefeito. Belinati disse respeitar o autor do despacho, juiz da 6ª Vara Cível de Londrina, Celso Saito. Além do pedido de afastamento, o juiz ainda determinou indisponibilidade dos bens do prefeito e a quebra de seu sigilo bancário e fiscal. ‘‘Tenho por ele (o juiz) o maior respeito. Trata-se de um homem íntegro, que dedicou uma vida à Justiça’’, afirmou ele. Belinati afirmou no entanto que o despacho de Celso Saito representa uma interprestação a respeito do caso.
Na entrevista, o prefeito manteve cautela ao comentar sobre sua situação, evitando inclusive alguns assuntos políticos. Belinati disse que pretende retornar a Londrina amanhã, mas preferiu não detalhar se sua volta estaria ligada a alguma ação que pudesse resultar em reconsideração da decisão da Justiça de Londrina. O advogado do prefeito, ClSmerson ClSve, já afirmou que tenta levar o caso para Curitiba, alegando foro previlegiado.
‘‘Tenho de ter serenidade’’, limitou-se a dizer Belinati. Segundo informou, o que ocorre hoje em Londrina, que vive sob o impacto de ações civis apresentadas pelo MP e grande cobrança da sociedade organizada interessada em investigações rigorosas, está ligado ao período pré-eleitoral. ‘‘Com o advento da reeleição, acredito que muitos prefeitos vão sofrer o que estou sofrendo’’, disse.
O prefeito criticou o Movimento pela Moralização na Administração Pública de Londrina. ‘‘Este pessoal não se lembra do que faço. A agressão está sendo direcionada pessoalmente a mim e também à minha família’’, afirmou o prefeito, referindo-se às obras realizadas nas três administrações. ‘‘Jamais teria atitudes iguais as deles de ir dessa forma contra um adversário, como fizeram por exemplo, ao realizar uma manifestação em frente à minha casa’’, afirmou o prefeito.
Belinati declarou no final de fevereiro que não pretende concorrer às eleições municipais deste ano. Questionado ontem se estaria revendo esta decisão, ele disse que o momento agora é de equacionar problemas. ‘‘Seria muito prematuro comentar isto agora. Tem todo um encaminhamento jurídico’’, afirmou.
Sobre a repercussão nacional dos problemas envolvendo a administração municipal, o prefeito acredita que se trata de um fato político que tem inclusive a interferência do Governo Federal. Ele lembrou que o presidente Fernando Henrique (PSDB) tem tentado enfraquecer o partido dele, PFL, que hoje não conta com maioria no Congresso. ‘‘O próprio presidente tem interesse e estaria ajudando o candidato de seu partido a ganhar as eleições em Londrina’’, afirmou ele.
Sobre o Ministério Público, autor de duas ações contra ele, o prefeito disse que ‘‘os promotores fizeram apenas um espetáculo circense’’. Ele se referiu às medidas tomadas internamente na prefeitura, que resultaram na ação judicial movida pela procuradoria-geral do município. A atitude foi tomada apenas em fevereiro, mas poupou o primeiro escalão.
O prefeito disse ainda que tem recebido manifestações de apoio de vários segmentos da população. Ele informou que são ações espontâneas, que o têm tranquilizado bastante. ‘‘Uma boa parte do povo sente que se trata de um processo político, no sentido de tentar me destruir’’, afirmou ele.

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