O prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PFL), passou todo o dia de ontem fugindo da imprensa – a Folha apurou que ele estaria refugiado em Curitiba – e dos oficiais de Justiça que tentam intimá-lo. Anteontem, o juiz Celso Seikiti Saito, da 6ª Vara Cível, determinou o afastamento de Belinati do cargo e também a indisponibilidade dos bens e quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de toda a família. A decisão atende medida cautelar ingressada na semana passada pelo Ministério Público e que aponta o prefeito como o principal responsável por um esquema de desvio de recursos na prefeitura.
Os oficiais de Justiça voltaram ontem ao apartamento onde vive Belinati, na Rua Belo Horizonte (área central de Londrina), e também na chácara da família (na zona sul). Tudo em vão.
O sumiço do prefeito afetou o dia a dia da prefeitura. A movimentação cotidiana foi substituída por um silêncio atípico e corredores quase vazios. Ainda assim, a decisão de Saito era assunto do dia – porém comentado de forma tímida pelos servidores municipais.
‘‘O pessoal todo está abatido, o clima está tenso. Por isso ninguém está falando muito. Porque na verdade ele (Belinati) é o nosso patrão e a gente sente um pouco’’, disse o porteiro Sebastião Pedro Gonçalves, o ‘‘Tiãozinho’’, que há 20 anos trabalha na prefeitura. Ele acrescenta: ‘‘Durante todo esse tempo de trabalho, é a primeira vez que vejo um clima tão pesado. Parece um pesadelo.’’
Na antesala do gabinete de Belinati, onde moradores se acumulam para tentar audiência com o prefeito, também predominou o silêncio. Segundo a assessoria de imprensa, menos de 20 pessoas foram até o local tentar falar com Belinati, quando o normal seria 60 ou mais.
Até mesmo a telefonista – que não quis se identificar – disse que ontem o dia foi mais calmo do que o normal. ‘‘Apenas umas dez pessoas ligaram para perguntar sobre o afastamento do Belinati. Também teve gente que ligou para apoiar o prefeito e outros para criticá-lo.’’
Com o sumiço de Belinati, quem assumiu informalmente o cargo de prefeito de Londrina foi o secretário municipal de Governo, Sidney de Oliveira. ‘‘O secretário não ‘assume’, ele ‘responde’ pela prefeitura na ausência do prefeito’’, adiantou-se Oliveira ontem de manhã, enquanto despachava com o secretário José Righi de Oliveira, de Obras, e com o presidente da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Gustavo Santos.
Segundo ele, a responsabilidade do secretário limita-se ao aspecto administrativo, e não político. Ele acrescenta que, legalmente, poderá ficar a frente da prefeitura pelo prazo máximo de 15 dias – acima disso, ou quando o prefeito sai do País, deverá haver licenciamento formal.
Tanto Oliveira, quanto Righi e Santos disseram não saber do paradeiro do prefeito de Londrina. ‘‘Ele (Belinati) despachou ontem (segunda-feira) até o meio-dia e depois não tive mais contato’’, afirmou Oliveira. ‘‘Mas o prefeito sempre deu autonomia para os secretários e cada um está tocando sua pasta. É uma rotina’’, completou.
Eles acrescentaram que Belinati não deixou nenhuma orientação especial durante o período em que estiver longe do cargo. ‘‘Lógico que ele faz falta: fazemos parte de uma equipe e ele é o comandante.’’
Sobre a possibilidade de Belinati ser oficialmente afastado, com o cumprimento da notificação, Oliveira argumentou que o secretariado deverá permanecer trabalhando normalmente. ‘‘O cargo é de confiança e sempre estará à disposição. A permanência ou não no cargo vai depender de quem assumir a prefeitura’’, disse.
À tarde, a Folha tentou fotografar o gabinete do prefeito mas foi impedida pelo próprio secretário Sidney de Oliveira – que mandou recado pela assessoria de imprensa dizendo que nem queria discutir o assunto com a reportagem.

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