Belinati sofre mais duas ações criminais
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terça-feira, 22 de maio de 2001
Lúcio Horta De Londrina 
O juiz da 4ª Vara Criminal de Londrina, Arquelau Ribas Araújo, acatou duas novas denúncias criminais propostas pelo Ministério Público (MP) e que envolvem o ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido). As ações apuram um rombo de quase R$ 1 milhão, desviados da Prefeitura de Londrina em licitações fraudulentas realizadas na extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb atual CMTU). Agora são quatro ações criminais que tramitam na Justiça contra o prefeito cassado. Por causa de uma delas, Belinati esteve preso durante seis dias. Ele está em liberdade provisória graças a uma liminar do TJ.
Os autores das duas novas denúncias, promotores Sérgio Corrêa de Siqueira, Osvaldo Luiz Simioni, Solange Vicentin e Cláudio Esteves, pediram novamente a prisão preventiva de Belinati e outros acusados pelas fraudes em Londrina, que podem chegar a R$ 200 milhões. Mas o juiz, antes de decidir sobre a prisão, vai aguardar a decisão do mérito do habeas-corpus no TJ pela defesa de acusados em outra ação criminal oferecida pelo MP de Londrina. A Folha não teve acesso à relação dos réus.
Na terceira ação, proposta em 18 de abril, os promotores denunciam o desvio de R$ 431,7 mil em três licitações (do tipo carta-convite) vencidas pela empresa Gomes & Amâncio Ltda (de Londrina), dos irmãos Sebastião Gomes da Costa e João Gomes da Costa, em maio de 1999. Parte do valor R$ 340 mil acabou trocado por dólares numa operação que, segundo o MP, envolveu os doleiros Walderez Lacerda, de Goiânia (GO), e Olga Youssef Soloviov, conhecida como Flora, irmã do doleiro londrinense Alberto Youssef que também já esteve preso.
Dos R$ 340 mil, o MP localizou R$ 230 mil na conta de Anis Rassi, de Goiânia, e conseguiu na Justiça o bloqueio do recurso. Ele foi arrolado na ação como testemunha.
Além de Belinati, Olga, Lacerda e os irmãos Gomes, foram denunciados os ex-secretários Wilson Mandelli (Governo, que já esteve preso) e Ismael Mologni (Fazenda), o ex-procurador jurídico da prefeitura Eduardo Duarte Ferreira, o ex-presidente da Comurb Kakunen Kyosen, a ex-diretora de Operações da companhia Lúcia Brandão e seu irmão Luiz Carlos Brandão entre outros.
Na quarta denúncia aceita pelo juiz Arquelau, proposto no dia 23 de abril, refere-se a três cartas-convite vencidas pela empresa Edificadora Vêneto Ltda., de Curitiba, de propriedade do empresário Solano da Ros que já teve a prisão preventiva decretada na primeira ação criminal do MP, mas também interpôs pedido de habeas-corpus, ainda não analisado. No total, os promotores acusam o desvio de R$ 435,4 mil nas três cartas.
O valor foi transferido para uma conta-poupança de Arion Cruz Santos, ex-representante da empresa Esteio Engenharia, de Curitiba e que também teve a prisão decretada na primeira ação criminal e obteve habeas-corpus. Da poupança, parte do dinheiro foi transferido para três contas do Banco Banrisul, em Santana do Livramento e Sete de Setembro (RS). Outros R$ 50 mil acabaram depositados na conta de Youssef, réu da ação. Arion teria ficado com R$ 15 mil.
Nos dois despachos assinados por Arquelau, assinados nos dias 14 e 16 deste mês e divulgados ontem, o juiz recebeu as denúncias e marcou a data dos interrogatórios. No caso da terceira ação criminal, que envolve 20 réus, os interrogatórios serão realizados de 30 de agosto a 27 de setembro; na quarta ação, com 18 réus, os acusados serão ouvidos pelo juiz de 12 a 19 de dezembro.


