O prefeito Antonio Belinati (PFL) preferiu manter o silêncio sobre a decisão da Câmara de Vereadores de cassar seu mandato. Praticamente todos os veículos de comunicação da cidade fizeram plantão ontem de manhã em frente à chácara Irmãos Vitorino, de propriedade da família, mas ele não atendeu nenhum jornalista. Belinati teria passado toda a noite na chácara, onde acompanhou a sessão extraordinária. De lá, não teria saído.
Segundo informações do assessor pessoal do prefeito cassado, Hiran de Holanda, o prefeito cassado deverá convocar no ‘‘momento oportuno’’ uma coletiva para falar sobre o afastamento. A entrevista poderá ocorrer ainda hoje. Hiran de Holanda informou ainda que, apesar da decisão da Câmara, Belinati teria mantido a ‘‘tranquilidade’’.
A movimentação na chácara foi pequena após o resultado da votação na Câmara de Vereadores de Londrina. Apenas familiares e assessores mais próximos conseguiram manter algum contato com Belinati para prestar solidariedade. À tarde, havia a informação de que a governadora em exercício, Emília Belinati (PTB), esposa do prefeito cassado, estaria na cidade.
Mas a assessoria de imprensa do Palácio Iguaçu negou a informação e garantiu que Emília não deixou Curitiba. Ela está substituindo o governador Jaime Lerner (PFL), que está em viagem aos Estados Unidos. Emília acompanhou a votação a distância, no apartamento da família, na Capital.
A primeira pessoa que esteve na chácara Irmãos Vitorino, após a cassação de Belinati, foi a ex-chefe de gabinete Sandra Graça. Ela chegou pouco antes das 9 horas e permaneceu no local por cerca de uma hora. Na saída tentou despistar a imprensa, dizendo que o prefeito cassado não estava no local – o próprio assessor Hiran de Holanda confirmou, mais tarde, que Belinati estava na chácara.
Candidata declarada à uma vaga na Câmara dos Vereadores, Sandra é a principal articuladora do movimento auto-intitulado ‘‘Legalidade’’, que defende Belinati.
O pastor José Maria Góes, outro integrante do movimento pró-Belinati, também compareceu à chácara por volta das 9 horas da manhã. Ele disse que foi ao local para prestar solidariedade ao prefeito cassado.
‘‘Esperávamos que nós ganharíamos’’, lamentou, sobre a cassação. O pastor também foi questionado se a decisão da Câmara ‘‘representou a vontade de Deus?’’ Constrangido, ele respondeu: ‘‘Acredito que sim. Há para todas as coisas um tempo determinado.’’
As filhas do prefeito afastado, Simone e Cintya Belinati, chegaram à chácara da família às 9h50 e 10h10, respectivamente. Ambas estavam com os vidros de seus veículos fechados e se recusaram a dar qualquer tipo de declaração.
Aparentemente irritada, Cintya chegou a ensaiar um gesto obsceno para um cinegrafista, depois que entrou na propriedade da família.
O irmão do ex-prefeito, Valdimir Belinati, chegou ao local às 11h15 e também não deu qualquer declaração aos jornalistas, deixando igualmente os vidros do carro fechados. Valdimir é médico e idealizador do projeto do Pronto Atendimento Infantil (PAI) – cuja festa de inauguração determinou o afastamento de Belinati.
No final da tarde de ontem a Folha ligou para a chácara Irmãos Vitorino. A reportagem foi informada que Belinati estaria com a família e amigos e não daria qualquer declaração à imprensa. A expectativa é que hoje ele finalmente fale sobre a cassação – a mais pesada derrota na carreira de três décadas de um dos mais antigos políticos em atuação no Paraná.

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