Um ofício encaminhado pelo prefeito de Londrina Antonio Belinati (sem partido) ao governador Jaime Lerner (PFL) revela que o discurso de insatisfação da família Belinati sobre o secretariado não passa somente pela falta de representatividade das regiões no primeiro escalão, mas também pelo não atendimento de suas reivindicações. Até agora, a família Belinati vinha negando que tenha defendido nomes para o secretariado, mas um documento obtido pela Folha mostra que Belinati fez sua indicação: a do delegado Ricardo Noronha para o cargo de delegado da Polícia Civil do Paraná. O nomeado foi Newton Rocha, protegido do presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL).
O documento, de número 1120/98, foi encaminhado no dia de 10 de dezembro ao governador e foi escrito dois dias depois de o prefeito ter se reunido em Curitiba com Lerner, ocasião na qual afirmou não ter indicado nomes para o segundo mandato do governador e declarado que não tinha interesse em cargos. Ontem, Belinati disse à Folha que o envio de ofícios do gênero é rotina na prefeitura. ‘‘Principalmente para juízes classistas’’. Ele afirmou ter enviado o ofício atendendo a um pedido de um jornalista de Curitiba.
Segundo Belinati, seu estilo não é pleitear cargos. Ele acredita que o ofício vazou do governo, que tenta tirar proveito da situação. ‘‘É uma maneira equivocada de avaliar porque o ofício é bem lá para trás’’, argumentou.
Belinati disse que o governo, ‘‘ao invés de se preocupar com esse tipo de divulgação, deveria se preocupar em explicar o motivo de não ter contemplado todas as regiões do Estado’’.
Ele acredita que não está fácil a solução da crise entre Lerner e Emília. ‘‘É um quebra-cabeça’’. Belinati disse que o governador acenou com possibilidade de entendimento quando cogitou trocar alguns secretários dentro de dois a três meses. ‘‘Mas se vai trocar, por que eles foram nomeados?’’ ‘‘Além do mais, estranho alguém que tem projeto de ser candidato a presidência da República e não está conseguindo contentar as próprias regiões do Paraná. O governo é tão grande que o governo poderia atender e muito bem todas as regiões’’, defendeu.

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