O ex-prefeito de Londrina Antonio Belinati (sem partido) esteve na Polícia Federal ontem de manhã para prestar depoimento num inquérito que investiga a falta de pagamento de um precatório da Prefeitura – uma ordem judicial determinando o pagamento de uma dívida trabalhista de 1998 no valor de R$ 318,00. Na verdade, esta é a segunda vez que ele vai à PF para prestar o depoimento. Na sexta-feira passada, Belinati esteve na PF mas descobriu que havia se confundido com a data.
Segundo o advogado do ex-prefeito, Antonio Carlos Vianna, a dívida já está paga e o depoimento foi uma formalidade. ‘‘O precatório foi pago com atraso e a comunicação demorou.’’ Prestar esclarecimentos para a polícia e a Justiça tem sido uma rotina para o ex-prefeito, cassado em junho de 2000. Ele responde a oito ações criminais, 23 ações cíveis e já esteve preso duas vezes.
O homem que foi prefeito de Londrina três vezes e que vivia cercado de assessores chegou só com o advogado à PF. Quieto e abatido, Belinati não parece o mesmo político que fazia discursos em qualquer solenidade. Demora para responder as perguntas, principalmente sobre política: ‘‘Não penso mais nisso. Política não está mais nos meus planos’’, assegura. ‘‘Minha cabeça funciona 24 horas por dia em função do rádio. Eu gasto meu tempo pensando, planejando e preparando o meu programa no rádio.’’
Não é bem assim. Quando fala do filho, o deputado estadual Antonio Carlos Belinati (PSL), o ex-prefeito se anima. ‘‘Ele vai tentar a reeleição. Estamos trabalhando nisso’’, deixa escapar. Já sobre a mulher, a vice-governadora Emília Belinati, ele é breve: ‘‘O que sei da Emília é o que leio nos jornais’’.
O inquérito na PF deve ser encerrado e remetido à Procuradoria da República nos próximos dias. Se confirmado o pagamento do precatório, o processo poderá ser arquivado.

mockup