Belinati pode dar férias coletivas a funcionários
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domingo, 16 de novembro de 1997
Patrícia Zanin Londrina 
Arquivo folhaDedo na feridaBelinati:
crime mais alto do
pacote é a
crise socialO ano de 1998 vai ser um dos mais amargos das últimas três décadas. A previsão pessimista é do prefeito Antonio Belinati, ao comentar o pacote de ajuste fiscal divulgado na segunda-feira pelo governo federal. Belinati já planeja dar férias coletivas em dezembro e janeiro aos 6.500 servidores públicos municipais e não descarta adotar outras medidas de contenção de gastos. Tenho perdido o sono, confessa.
A Prefeitura de Londrina tem recorrido com frequência a empréstimos bancários para complementar a folha de pagamento do funcionalismo e recentemente aprovou projeto de lei na Câmara para autorizar novo empréstimo de R$ 5 milhões que deve ser usado para quitar o 13º salário dos servidores. A folha de pagamento é de R$ 5,5 milhões/mês.
Deveremos fechar o ano pagando 15 folhas porque serão 13 nossas, contando o décimo terceiro, e duas que herdamos da administração anterior, diz Belinati. Ele reconhece que recorrer a empréstimos agora ficou mais difícil, tanto pelo aumento das taxas de juros como pela limitação imposta pelo governo na obtenção da chamada operação ARO (Antecipação de Receita Orçamentária). É claro que a queda na receita muitas vezes nos obriga a fazer empréstimos, mas isso é uma verdadeira maldição escravizante, avalia.
Para o prefeito, a falta de dinheiro e o arrocho causados pelo pacote irão resultar num Natal fraco, com reflexo direto na prefeitura. A Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL) previa, antes do anúncio das medidas de ajuste fiscal, um crescimento de 30% nas vendas em relação ao ano passado. Mas a diretoria da entidade já está revendo os números. O comércio vende menos, o governo recolhe menos impostos. É menos receita e tudo vai acabar desaguando nas prefeituras, raciocina Belinati.
O prefeito diz que o crime mais alto do pacote é a crise social. A fila na porta da assistência social tende a aumentar, acredita. Ele não pensa em demissões imediatas na prefeitura, mas lembra que a administração tenta aprovar na Câmara de Vereadores um Plano de Exoneração Voluntária (PEV) á- um dos itens da reforma administrativa preparada pelo secretário geral Gino Azzolini Neto, que estima uma economia anual de R$ 7,5 milhões caso os projetos de lei encaminhados ao Legislativo sejam aprovados. A reforma é necessária, mas temos uma responsabilidade social de garantir o quanto pudermos o emprego de pais de família, defende.


