Arquivo folhaDedo na feridaBelinati:
‘‘crime’’ mais alto do
pacote é a
crise social‘‘O ano de 1998 vai ser um dos mais amargos das últimas três décadas’’. A previsão pessimista é do prefeito Antonio Belinati, ao comentar o pacote de ajuste fiscal divulgado na segunda-feira pelo governo federal. Belinati já planeja dar férias coletivas em dezembro e janeiro aos 6.500 servidores públicos municipais e não descarta adotar outras medidas de contenção de gastos. ‘‘Tenho perdido o sono’’, confessa.
A Prefeitura de Londrina tem recorrido com frequência a empréstimos bancários para complementar a folha de pagamento do funcionalismo e recentemente aprovou projeto de lei na Câmara para autorizar novo empréstimo de R$ 5 milhões que deve ser usado para quitar o 13º salário dos servidores. A folha de pagamento é de R$ 5,5 milhões/mês.
‘‘Deveremos fechar o ano pagando 15 folhas porque serão 13 nossas, contando o décimo terceiro, e duas que herdamos da administração anterior’’, diz Belinati. Ele reconhece que recorrer a empréstimos agora ficou mais difícil, tanto pelo aumento das taxas de juros como pela limitação imposta pelo governo na obtenção da chamada operação ARO (Antecipação de Receita Orçamentária). ‘‘É claro que a queda na receita muitas vezes nos obriga a fazer empréstimos, mas isso é uma verdadeira maldição escravizante’’, avalia.
Para o prefeito, a falta de dinheiro e o arrocho causados pelo pacote irão resultar num Natal fraco, com reflexo direto na prefeitura. A Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL) previa, antes do anúncio das medidas de ajuste fiscal, um crescimento de 30% nas vendas em relação ao ano passado. Mas a diretoria da entidade já está revendo os números. ‘‘O comércio vende menos, o governo recolhe menos impostos. É menos receita e tudo vai acabar desaguando nas prefeituras’’, raciocina Belinati.
O prefeito diz que o ‘‘crime’’ mais alto do pacote é a crise social. ‘‘A fila na porta da assistência social tende a aumentar’’, acredita. Ele não pensa em demissões imediatas na prefeitura, mas lembra que a administração tenta aprovar na Câmara de Vereadores um Plano de Exoneração Voluntária (PEV) á- um dos itens da reforma administrativa preparada pelo secretário geral Gino Azzolini Neto, que estima uma economia anual de R$ 7,5 milhões caso os projetos de lei encaminhados ao Legislativo sejam aprovados. ‘‘A reforma é necessária, mas temos uma responsabilidade social de garantir o quanto pudermos o emprego de pais de família’’, defende.

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