Belinati parou escola, diz ex-secretário
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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2001
Lino Ramos de Londrina 
O ex-secretário da Educação de Londrina, José Dorival Perez, revelou ontem que o ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido) determinou a ele, em 1997, que encontrasse outra área para abrigar a escola agrícola que estava sendo construída na zona sul, porque o local seria doado para o Centro de Exposições e Eventos de Londrina.
Segundo Perez, do comunicado também participou a então diretoria da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), na época presidida pelo vice-prefeito Alex Canziani atualmente deputado federal pelo PSDB. O caso, descoberto só agora, está sendo investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) porque recursos federais foram encaminhados para a construção da escola.
O ex-secretário disse que o assunto foi discutido no final de 97 em junho de 98 a área foi doada para a PBV Representações Eventos e Participações Ltda. Me chamaram na Codel e eu soube de uma proposta de doação da área para um centro de eventos, afirmou. Mas disseram que eu poderia procurar um outro local, de cinco alqueires, que seria comprada pela administração para abrigar a escola.
O presidente da Codel em 98, José Cândido Miller Júnior, reafirmou ontem não ter conhecimento sobre a determinação de transferir a escola, justificando que na época era apenas diretor de Desenvolvimento na companhia. Segundo ele, na área só havia construções em situação terrível e que não podiam ser identificadas como salas de aula. Isso prova que a construção da escola já havia sido iniciada.
O próprio Perez afirmou ontem que durante visitas ao imóvel chegou a ver a construção inacabada de cinco salas de aula e uma edificação que estava em reforma. Ele disse que chegou a discutir a transferência da escola para o Colégio Agrícola da Universidade Norte do Paraná (Unopar), mas o projeto teria desaparecido no Ministério da Educação (MEC), em razão do atraso nas obras. No terreno havia ainda um pólo frutífero destinado a fornecer mudas para pequenos agricultores, mas que também sumiu gerando um mistério adicional.
De acordo com Perez, o prazo para a construção da escola havia expirado, mas a Secretaria de Educação tentou prorrogá-lo por três meses até encontrar um novo terreno. Mas analisamos que não seria viável manter a escola por causa de mudanças na Lei de Diretrizes da Educação.
Conforme levantamento da auditoria da prefeitura, a escola começou a ser construída em 92. Segundo o auditor Osvaldo Alves de Lima, quando a área foi doada, havia no local cinco salas de aula em construção e um estábulo, que teriam sido demolidos. Cerca de R$ 200 mil foram gastos nas obras. Outros R$ 743 mil repassados pelo MEC ainda estão em uma conta da prefeitura. O prefeito Nedson Micheleti (PT) pretende utilizá-los em outro projeto.
A prefeitura passou a investigar o caso da escola na quarta-feira, após receber um pedido de informações da Procuradoria Geral da República. Segundo o procurador João Akira Omoto, a solicitação partiu da Comissão de Obras Inacabadas do Senado.
O diretor da PBV, Paulo Veiga, de Curitiba, prometeu ontem à Folha, por telefone, manifestar-se sobre o assunto na segunda-feira. Alex e Belinati não foram encontrados.


