Passados dois anos de sua posse, o prefeito de Londrina Antonio Belinati (sem partido) vai deixar de cumprir um dos compromissos que assumiu com o Partido dos Trabalhadores (PT) durante a campanha para a Prefeitura de Londrina, em 1996: a implantação do orçamento participativo. Em troca do apoio de Paulo Bernardo (PT), que foi derrotado no primeiro turno, Belinati se comprometeu a viabilizar três projetos petistas durante seu mandato: o Banco do Povo, o programa de renda mínima e o orçamento participativo.
Destes, somente o Banco do Povo, que se chama ‘‘Casa do Empreendedor’’, saiu do papel. A instituição completou um ano recentemente. Na semana passada, Belinati anunciou que vai colocar em prática, em março, o programa de renda mínima. Ele é inspirado em iniciativas já desenvolvidas em outros lugares como a bolsa-escola de Brasília. O projeto terá orçamento de R$ 500 mil para este ano e deverá atender 400 famílias.
Belinati alega que não pretende viabilizar o orçamento participativo, que funcionou na gestão do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida (PT), porque o projeto já está sendo realizado ‘‘no dia-a-dia’’. ‘‘Não conheço prefeito que receba tanta gente. Fora isso, também visito muitos bairros, ouço as reivindicações do cidadão comum e tento colocá-las em prática. Portanto, esse tipo de participação no orçamento já está sendo viabilizado’’, afirma.
Ele diz que, através do diálogo, tem feito obras para quem precisa. ‘‘Arrecadamos do rico para fazer obra para o pobre’’. O prefeito cita o asfalto de 28 bairros de Londrina. ‘‘Essa é a maior prova de participação da comunidade’’, entende. Ele argumenta que, de nada adiantaria colocar projetos participativos no orçamento e não cumpri-los. ‘‘Estamos ouvindo as propostas, tentando garantir a execução delas e a população participa’’.
A candidata derrotada a vice-prefeita de Londrina, Rose Friedman (PT), que trabalhou até o mês passado como assessora na secretaria de Planejamento da prefeitura, deixou o cargo magoada com a falta de implementação de projetos sociais. ‘‘Tínhamos expectativa de realizar trabalhos com participação popular, destinados às áreas mais carentes, mas, infelizmente, faltou vontade política para realizá-los’’, reclamou durante entrevista à Folha, na ocasião.
Ela disse que no caso específico do orçamento participativo, projeto que ela estava elaborando, houve resistência também por parte de alguns secretários. ‘‘Infelizmente a proposta não foi compreendida. Acho que existe preconceito por parte da classe política como um todo, que se sente ameaçada em seu augusto poder’’, criticou.

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