O ex-prefeito Antonio Belinati poderá ser julgado à revelia num processo onde é acusado de sonegar informações sobre a venda de 45% das ações da Sercomtel para a Copel, em maio de 1998. Ele deveria ter sido ouvido ontem pela juíza da 5ª Vara Criminal de Londrina, Oneide Negrão, negou-se a comparecer e mandou uma carta, escrita de próprio punho, recorrendo ao direito constitucional de permanecer calado. A carta foi levada até o Fórum pela advogada Silvana Pedroso.
Antes de decidir faltar à audiência, a defesa do ex-prefeito ingressou com dois recursos para tentar cancelar o depoimento. A juíza indeferiu os pedidos e requisitou escolta e a presença da Tropa de Choque no Fórum, para garantir a segurança de Belinati. Apesar do aparato policial, ele não quis comparecer ao depoimento. Oneide Negrão preferiu não determinar a condução do ex-prefeito de forma coersiva para que não fosse acusada de arbitrariedade e abuso de autoridade – como sugeriu a defesa, num dos recursos, caso a juíza tomasse essa decisão.
A juíza também rebateu as acusações de que a audiência de ontem só foi marcada porque o advogado do ex-prefeito, Antônio Carlos de Andrade Vianna, teria feita uma provocação a ela nesta semana, durante um debate na televisão. Ela destacou que o processo – que tramitava no TJ porque Belinati tinha foro privilegiado – só retornou a Londrina no dia 3 e a audiência foi marcada no dia seguinte. ‘‘Estou até correndo o risco de arguirem minha suspeição, mas prefiro passar por esse dissabor do que ver a todo momento o Poder Judiciário e o Ministério Público serem acusados de estarem sendo omisso’’, disse a juíza.

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