Belinati não foi por cautela
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de março de 1997
Patrícia Zanin 
Da Redação
O prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PDT), disse ontem à Folha, por telefone, que não participou da audiência por temer uma situação desconfotável entre ele e o governador Jaime Lerner. É natural que a nossa situação tenha ficado abalada, reconheceu. Por cautela e prudência, achei que não seria o momento. Sou muito tímido, ironizou. Ele falou à Folha quando voltava para Londrina, vindo de Curitiba, onde participou do Congresso para Administradores Municipais. O prefeito nem passou pelo Palácio Iguaçu. Perdi o endereço, voltou a ironizar.
Anteontem, o secretário-chefe de gabinete de Lerner, Gerson Guelmann, dava como certa a presença de Belinati na reunião. O Farage (Khouri) convidou, eu agradeci e fiquei sensibilizado, mas achei que o momento não era esse, disse Belinati. O pedido de audiência com o governador foi feito por Khouri, que é presidente da Federação das Associações Comerciais e Industriais do Paraná.
Mas ao que parece, Belinati não quis mesmo dividir as atenções com as lideranças que compareceram à audiência com o governador. O prefeito foi o idealizador do Movimento pelo Norte, mas a Câmara de Vereadores de Londrina se antecipou, definiu a pauta de reivindicações semana passada e conseguiu agendar o encontro com Lerner. Nós louvamos a iniciativa do Farage e do major Adalberto (Adalberto Pereira da Silva, presidente da Câmara de Vereadores de Londrina), mas a gente vai ficar na expectativa de que o governador nos dê a honra de marcar uma reunião aqui em Londrina para aprofundarmos a discussão, assume.
Depois de duas datas adiadas, Belinati deflagraria o movimento sábado, mas cancelou o encontro a pedido de Lerner, que alegou impossibilidade de comparecer por motivos de saúde. Porém, o governador ficou de marcar nova data. O prefeito garante que o movimento não terminou. Ele mexeu com a opinião pública e com a classe política. A gente tá contente que as reivindicações chegaram até o Estado, mas vamos aguardar o posicionamento do governo em relação a essas reivindicações. A parte principal do movimento virá agora, diz Belinati.


