Belinati luta para equilibrar finanças
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sexta-feira, 28 de março de 1997
Claudio Osti Da Redação 
Arquivo FolhaEm frenteDívida não tira o otimismo de Belinati: prefeito lança Centro de Eventos e Cidade Industrial e quebra monopólio dos transportesO prefeito Antonio Belinati (PDT) assumiu a Prefeitura de Londrina numa situação pouco confortável. A folha de pagamento estava atrasada e o pagamento aos fornecedores também. Os servidores só se apresentaram ao trabalho no dia 2 de janeiro, depois de uma semana de paralisação, para dar um voto de confiança ao novo administrador. A primeira medida de Belinati foi conversar com as redes de supermercados pedindo a eles, também, um voto de confiança. Os supermercados haviam cortado o fornecimento das cestas básicas para os funcionários da prefeitura. Eu prometi aos supermercadistas que dia 10 de janeiro faria o pagamento e, graças a Deus, conseguimos honrar o compromisso, lembra Belinati.
A dívida herdada da administração anterior chegava a quase R$ 260 milhões. R$ 97 milhões tinham vencimento a curto prazo - salários e 13º , fornecedores e empréstimos junto a Sercomtel e a Caixa de Assistência e Previdência dos Servidores (Capsmel). Perto de R$ 160 milhões eram as chamadas dívidas fundadas, dívidas de longo prazo junto ao INSS, Caixa Econômica Federal e Pedu. Na iminência de completar 90 dias sob nova administração, a dívida não reduziu muito mas a prefeitura está conseguindo pagar os salários dos servidores em dia, uma verdadeira ginástica, já que só a folha de pagamento - cerca de R$ 6,5 milhões por mês só da administração direta e algumas autarquias - consome 75% da arrecadação. O método usado pela Secretaria de Fazenda, que tem a chave do cofre, é a velha e sempre eficiente matemática: gastar menos do que se arrecada e priorizar setores essenciais para a máquina não parar. Não estamos fazendo qualquer concessão. Não damos descontos ou isenções de IPTU ou ISS a ninguém. Com essa disciplina temos conseguido superávit nas nossas contas, diz o secretário de Fazenda, Luiz Cézar Guedes.
Antonio Belinati evita falar em dívidas da prefeitura. Prefere mostrar que o momento é de otimismo e aponta os projetos que já começam a ser desenvolvidos. Através da Sercomtel estamos consolidando o Banco do Empreendedor. A parte burocrática e mais complicada, que foi a elaboração do projeto, já está pronta e o banco deverá entrar em funcionamento dentro de pouco mais de 30 dias. Conseguimos quebrar, também, o monopólio do transporte coletivo, que sempre foi discurso de campanha de diversos candidatos a prefeito. Criamos a Cidade Industrial e estamos na iminência de anunciar os nomes das primeiras indústrias que vão se instalar no local. Uma parceria entre a prefeitura e o Banco do Brasil vai nos possibilitar a utilização de um imóvel, nas proximidades da Rua Porto Alegre, no centro da cidade, onde será instalado um Centro Cultural, descreve Belinati.
Na lista de investimentos ainda estão o Centro de Eventos que será construído na Viação Velha, Zona Oeste da cidade, em parceria com empresas privadas; o porto seco - estação aduaneira no interior -, para agilizar a importação e exportação de mercadorias, além de um teleporto - central de comunicação de dados - na Sercomtel. Estou encantado principalmente com a disposição que nossa equipe está demonstrando, em especial o vice-prefeito Alex Canziani. O clima é muito favorável. A sensação que eu tenho é que estamos caminhando para fechar este século com Londrina passando pela maior fase de desenvolvimento que jamais teve ou sonhou, diz, otimista, Belinati.


