O prefeito Antonio Belinati (PDT) fez ontem à tarde uma recepção discreta ao candidato do PT à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, a seu vice Leonel Brizola (PDT) e ao candidato do PMDB ao governo do Estado, Roberto Requião (PMDB). Ele apenas recebeu os líderes no aeroporto de Londrina, sem acompanhá-los nas outras atividades. Uma visita de Lula e Brizola ao gabinete de Belinati tinha sido programada anteriormente, mas não ocorreu.
Brizola mostrou-se compreensivo com Belinati, que apóia a coligação de oposição para a presidência, mas, no Paraná, faz campanha pela reeleição da esposa, a vice governadora Emília Belinati (PTB), e do governador Jaime Lerner (PFL).
‘‘O Belinati vive um momento difícil de sua vida, mas não perde a oportunidade de ser cortês e cavalheiro’’, disse Brizola. ‘‘A situação é delicada, mas não pode ser comparada com a que ocorreu com o Lerner, com o Greca’’, avaliou o pedetista, que não ‘engoliu’ a mudança de Lerner para o PFL. ‘‘A Emília foi ao Rio me comunicar que estava novamente compondo com o governador. Procurem entender esse quadro’’, amenizou o vice de Lula.
Belinati disse que apoiará Lula e Brizola ‘‘dentro das possibilidades’’. Já na campanha pela reeleição da esposa e de Lerner, o envolvimento deverá ser maior. ‘‘Farei o melhor de mim pela reeleição’’. Belinati elogiou a ‘‘ética’’ de Requião, que, segundo ele, telefonou antes de vir a Londrina, perguntando se a presença dele causaria algum constrangimento ao prefeito. ‘‘Disse que não porque política se faz com respeito’’.
Requião disse esperar que Belinati vote nele para o governo e em Emília para vice. ‘‘Só não sei como ele vai fazer isso’’, brincou. No aeroporto, cerca de 300 pessoas, a maioria de filiados aos partidos de oposição, recepcionaram os líderes. Uma banda animou a chegada. A Folha contou sete ônibus que transportaram populares. A dona-de-casa Iranice Vieira dos Santos estava entre eles. Segundo ela, o convite para a participação no evento partiu da prefeitura. Iranice ainda não sabe em quem votará para a presidência.
Depois do aeroporto, Lula e Brizola saíram em carreata para o centro da cidade, concederam entrevista coletiva e fizeram passeata no calçadão até o Banco do Empreendedor, um projeto petista colocado em prática na administração de Belinati depois que o PT deu-lhe apoio no segundo turno das eleições de 96.
O serralheiro desempregado João Batista Marques saiu do conjunto União da Vitória só para ver Lula. ‘‘Desta vez, tenho certeza que vai dar’’. O pintor Eni de Almeida também votará em Lula. Já o autônomo José Serapião, que vendia bandeiras do Brasil no calçadão quando viu a passeata, disse à Folha que foge do petista. ‘‘Há dez anos eu tinha uma lanchonete no ABC, mas as greves que o Lula organizava quebraram meu negócio. Nele eu não voto’’, garantiu.Josoé de CarvalhoEm famíliaBrizola cumprimenta dona Noeli Moura, de 85 anos. Ela é prima dele e mora em Londrina há 12 anos. Noeli disse que não via Brizola há 70 anos. O reencontro foi rápido, quando Brizola e Lula faziam passeata no calçadão de LondrinaPatrícia Zanin

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