O prefeito Antonio Belinati (PFL) – que no dia 20 anunciou ter desistido da reeleição – voltou a protagonizar ontem cenas de apoio popular organizadas por lideranças de assentamentos e bairros, com logística montada por sua assessoria. O esquema incluiu até um palanque improvisado na entrada da prefeitura, com duas caixas de som para transmitir o discurso do prefeito às cerca de 300 pessoas que foram recepcioná-lo. A fala de Belinati remeteu às campanhas eleitorais: ele atacou os adversários políticos e agradeceu o apoio do povo. Como na semana passada, também não faltaram beijos, abraços e palavras de solidariedade. Ele foi novamente carregado no colo por populares.
O vaivém das lideranças de bairro pró-Belinati começou por volta das 14h30, quando os manifestantes que apóiam o prefeito deixaram a Câmara para se concentrar em frente à prefeitura. Lá estavam reunidos grande parte dos secretários do prefeito. Belinati só chegou às 15h20.
Os populares se dirigiram primeiro – às 14h35 – ao saguão do segundo andar da prefeitura, próximo ao gabinete. Apesar do clima animado, com escola de samba e gritos de apoio ao prefeito, os moradores foram orientados pela assessoria de Belinati a esperá-lo do lado de fora da prefeitura.
Às 14h40, a roda de samba já estava formada em frente à prefeitura e no estacionamento, com adesão de 23 mototaxistas. Por meia hora, os manifestantes se distraíram na espera pelo prefeito gritando palavras de ordem pró-Belinati, tomando sorvete em carrinhos que estavam em frente à prefeitura e conversando. Às 15h05, o filho do vereador Antenor Ribeiro (PPB), Antenor Ribeiro Neto, saiu do estacionamento da prefeitura dirigindo um utilitário esportivo importado, o que obrigou uma dispersão temporária dos manifestantes. Cinco minutos depois, no lugar do utilitário, chegou o veículo de uma empresa que trabalha com telão e sonorização. Dois alto-falantes, fios e um microfone da empresa foram retirados do carro. Na sequência, o secretário da Fazenda, Jair Gravena, estacionou sua caminhonete Chevrolet com a carroceria aberta em frente à porta que dá acesso lateral ao gabinete do prefeito. O veículo serviu de palanque para o discurso de Belinati.
Momentos antes da chegada dele, um manifesto com a adesão dos mesmos líderes de bairro que anteontem defenderam o prefeito foi distribuído. O documento é assinado pelo ‘‘Movimento pelo Restabelecimento da Verdade’’ e diz que cabe ao Ministério Público investigar ‘‘toda e qualquer denúncia sobre irregularidade eventualmente cometida por integrante de administração municipal’’, além de responsabilizar a oposição pelas críticas a Belinati.
O prefeito chegou às 15h20, dirigindo seu próprio carro – um Ômega verde. Ele estacionou o veículo na frente da prefeitura, acenou para os populares e já foi sendo carregado no colo. ‘‘Eu, sou Belinati, com muito orgulho, com muito amor’’, gritavam os manifestantes. ‘‘Eu já falei, vou repetir: é Belinati quem manda aqui’’, repetiam. Ele foi levado até a caminhonete, fechou os punhos fazendo gestos de vitória e segurou as bandeiras do Brasil e de Londrina.
Belinati pegou o microfone às 15h25 e falou durante cinco minutos. Agradeceu a Deus ‘‘pelas bençãos’’ e pelo calor e solidariedade do ‘‘povo querido que sempre esteve ao meu lado nos 32 anos de vida pública e que tem colocado seu abençoado voto para me eleger’’.
Depois, acusou os adversários de não respeitar a vontade do povo e da classe trabalhadora e de ‘‘estar de olho em nosso lugar’’. ‘‘Só pode ser prefeito quem tem o apoio do povo’’, discursou. ‘‘Esse povo já nos deu tantas vitórias e eu agradeço a Deus. Também por essa vitória de hoje’’, disse, referindo-se à decisão judicial que suspendeu a votação na Câmara da Comissão Processante.